SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



O império contra-ataca

18/11/2021

Compartilhar



O PSDB, na esteira das organizações partidárias brasileiras, historicamente, sempre foi um partido de caciques. Sempre as candidaturas majoritárias de peso nacional.

Seguindo a forma de atuação partidária contaminada pelo que Buarque de Holanda chamou de comportamento do “homem cordial”, que ficou conhecido como “jeitinho brasileiro” era uma democracia interna de “faz-de-conta”.

Quem podia, mandava. Quem tinha juízo, obedecia. Simples assim.

Nacionalmente eram os Coroneis do Tucanato que ditavam que ia se candidatar. Regionalmente os Coronéis locais decidiam. Em São José do Rio Pardo, por exemplo, candidato a prefeito e vereador teria de ter o aval de Silvio Torres para ir para a convenção, habituada a ser mero ato formal de homologação.

João Dória causou, pela primeira vez na história, prévias reais dentro do PSDB paulista. Os diretórios, filiados foram chamados a falar, foram ouvidos.

E, por duas vezes, Dória sagrou-se vencedor pela escolha dos filiados, não pela vontade dos coronéis.

Mas a velha guarda reagiu. E, agora, foi para as prévias constrangida, vendo-se obrigada a descer de seu Olimpo partidário e, de igual para igual, disputar os votos dos convencionais do partido.


Regionalmente falando, o grupo escolheu São João da Boa Vista como testa de ponte. Essa escolha não foi aleatória, isso não.

Essa reunião partidária opõe São João da Boa Vista a todas as demais cidades da região, principalmente Casa Branca, Mococa, Caconde, São Sebastião da Grama, Divinolândia, Itobi, Itapira e outras tais.

Esse grupo político, representante do velho tucanato histórico e de prática coronelista, escolheu São João da Boa Vista como sede particular. Sempre que estiveram no poder Silvio Torres, Sidney Beraldo e sua turma cuidaram de encaminhar para São João da Boa Vista todos os equipamentos públicos do estado de São Paulo, gerando um notável desenvolvimento na cidade e um subdesenvolvimento nas cidades do entorno, das quais só se lembravam nas eleições, para pedir votos.

Exatamente por haver negligenciado São José do Rio Pardo em seus dias de poder, Silvio Torres foi derrotado com uma votação humilhante para seu currículo político em sua pretensão de voltar a ser prefeito em sua cidade, seu reduto e curral eleitoral.

A escolha de São João da Boa Vista mostra que, se este grupo sagrar-se vencedor nas prévias e eleições, São João voltará a seus dias de glória. “Nosotros”, por outro lado, já temos nosso caminho no marasmo e no ostracismo que sempre foi o que nos sobrou quando estiveram no poder.

Boa parte dos tucanos que se reuniram para incensar o companheiro gaúcho estava, há pouco tempo, cantando loas a João Dória. Não sem motivo muitos analistas políticos estão ainda tentando compreender a virada de casaca neste momento.

Enquanto a mídia nacional cogita uma chapa Lula-Alckmin para enfrentar Bolsonaro em 2022, a pré-campanha de Eduardo Leite é considerada apenas um corta-luz para minar politicamente João Dória.

Dificilmente Eduardo Leite sairia de fato á presidência com chances reais de vitória. Analistas políticos entendem que após cumprir o papel anti-Dória, ele deve sair candidato ao Senado pelo seu estado, a manter-se fiel aos princípios que defende (sempre fala contra a reeleição).

Leite chega à região escorado por antigos caciques regionais do Tucanato, como Silvio Torres, que após anunciar a aposentadoria da vida pública por duas vezes, ao perder eleições, busca retomar algum espaço, ocupado por jovens do partido, como Orlando Faria. A presença de Silvio Torres contamina o discurso de renovação do evento e fixa pesada âncora do movimento no velho Tucanato. O lobo, diz o ditado, perde o pelo. Mas não perde o hábito.


Em nossa região Leite represente o anacronismo, o retorno a práticas políticas que não cabem mais em nossos dias, vindo acompanhado por políticos como Silvio Torres, Hélio Escudero e outros representantes de dias e práticas políticas passadas com improvável espaço em nossos dias.

João Dória teve a coragem de tornar a democracia uma realidade dentro do PSDB, ao forçar prévias e ouvir os filiados e órgãos partidários. Sem ele, provavelmente o PSDB volta às antigas práticas de convenções apenas para chancelar as escolhas dos caciques. E muitos diretórios perceberam que, com a volta dos antigos, perdem poder e articulação política.

João Dória, no governo do estado, foi muito feliz com a política de vacina e com a transparência com que tratou os trevosos dias de pandemia. O governo avançou em muitos aspectos, especialmente na inclusão de cidades em políticas públicas do estado de São Paulo, minando politicamente os coronéis e caciques regionais que travestiam estas políticas públicas de favores pessoais à plebe rude.

Se os caciques tucanos vencerem as prévias e conseguirem vitória nas urnas em 2022, será caso de lutarmos pela redução no preço dos combustíveis: Não se duvida que todos na região terão que se deslocar com frequência para São João da Boa Vista para serviços públicos do estado.

Leite, jovem e aqui pouco conhecido, perdeu a chance de emplacar um discurso efetivamente progressista e de renovação ao se apresentar aos convencionais cercado de caciques da velha guarda tucana da região, como Silvio Torres, cuja forma de fazer política e valores são por cá muito conhecidos e pouco quistos, como mostraram as urnas na eleição de 2020 para prefeitura de São José do Rio Pardo. 



Comentários


















Leia também:

Polêmica
Vereadores devem ajudar cidadãos, ex-cabos eleitorais que passem dificuldades?

São José do Rio Pardo
Trecho da Perimetral será recapeado vereador explica alterações

São José do Rio Pardo
Uma rua e trecho de outras duas serão recapeadas no Bela Vista

Religião
Rafal Kocian concita a que texto religioso lido seja de Chiara Lubich

Mais notícias…




Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais

contato@jornaldemocrata.com.br