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SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34


Fim do Camarote?

24/12/2020


As cidades da região estão às portas de enfrentar os velhos desafios, e os novos, com novos governos.

À exceção, já mencionada, de Casa Branca – que reelegeu com folga o prefeito – todas as outras sofrerão mudanças em suas prefeituras.

São José do Rio Pardo, São Sebastião da Grama e Caconde foram as cidades que mais mostraram vontade de mudanças. Mencionaria Mococa, mas o número altíssimo de abstenções impede uma análise nesse sentido. A impressão, em Mococa, é de descrença com os políticos. Todos, sem exceção.

Em São José do Rio Pardo a cidade vinha de governos Tucanos, interrompidos brevemente por uma gestão de João Luis Soares da Cunha, então MDB.

O atual prefeito fez uma gestão de transição, iniciando um desacoplar das instituições públicas de personalismos atávicos. Preparou a cidade para o desenvolvimento, com obras que renovaram as pistas de entrada da cidade, as vias de entradas da cidade e, especialmente, a perimetral que vinha abandonada Há tantos anos. A reforma da fonte recuperou o amor das famílias pela praça, espaço público por excelência, que vinha há anos entregues a facções que por momentos chegaram a fazer da praça central um campo de guerra. Quem não se lembra como era a praça central nas gestões anteriores, sem iluminação e um lugar até perigoso de ser atravessado em alguns dias à noite? Ou da perimetral, parecendo um queijo suíço? O maior avanço nas obras do esgoto aliados a obras estruturais deixaram a bala na agulha para o próximo prefeito tratar de desenvolvimento.

São José do Rio Pardo sempre foi uma cidade em que a ideia de camarote mais é sentida. Até na feira do produtor, por incrível que se pareça, tem camarote. A feira do “Camarote” na praça do mercado, com regras e uniformização e a feira do produtor, no prédio da feira do produtor: a pista.

Os políticos do camarote, por assim se dizer, vinham governando há anos. E o recado das urnas foi de notável rejeição, de pedido de mudança. E essa mudança veio na pessoa do prefeito eleito.

Anunciado o primeiro escalão e as reduções, certíssimas diga-se de passagem, na pesada estrutura pública, a turma do camarote, já em fim de festa, chiou. E as críticas são absolutamente naturais. Muitos privilégios deixarão de chegar ao camarote, acostumados a só ver ocupando cargos públicos certos sobrenomes.
Pra quem está acostumado a ver o Whisky chegar gelado na mão quando a estende é realmente comprometedor do status quo só o ter que levantar-se para ir buscar! Natural que chiem.

Ver sobrenomes comuns chegar a estes postos públicos parece ser, para o camarote, ofensivo. Mas acompanhando as redes sociais e vários grupos de aplicativos de mensagens em São José do Rio Pardo percebemos que quem está, por ora, chiando são um número de pessoas estatisticamente desprezível. Não passam de uma ou duas dúzias, que apesar de histriônicas não fazem coro perto de mais de cinquenta mil pessoas... ...realmente é de se considerar.

Chama a atenção que a maioria dos eleitores das classes econômicas mais altas parece ter votado no prefeito eleito. O antigo camarote foi ficando pequeno, só cabia a turma mais chegada. A maioria foi ficando de fora. Entenderam que para que para poder seguir crescendo, a cidade deve crescer, deve se desenvolver. Firmes nos próprios interesses, a velha elite política não foi capaz de perceber a mudança dos tempos ou da necessidade da cidade.
Quem reclamou de ver empregadas domésticas usando aviões não gostará de ver filho de eletricista ser secretário de Saúde, ou um jovem de origem humilde e trabalhadora ser secretário de Obras. Na impossibilidade de reduzir assim a equação e perguntar publicamente onde estão os sobrenomes pomposos, resta criticar por qualquer coisa.

O plano de trabalho do novo prefeito eleito em São José do Rio Pardo parece o mapa do inferno para velhas elites acostumadas ao camarote do poder público. Despersonalizar a estrutura pública e permitir que as instituições funcionem de forma impessoal mostrará que ninguém é insubstituível. E nada assusta mais os velhos e os novos políticos que se valem da velha politicagem do que isso.

Antigamente era fácil: mandavam prender quem não obedecesse. Sem dúvida deve haver ainda os que pensem que podem mandar prender quem não os obedeça, em tempos de redes sociais há quem pense e quem fale qualquer coisa.

Mas nestes tempos, parafraseando Euclides, ou os coronéis evoluem, ou desaparecerão. E já vão tarde.
 



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