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SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34


Paz na terra aos homens de bem

31/12/2020


O texto bíblico admite interpretações. Limitadas, por óbvio. Mas elásticas o suficiente para alterar notadamente a dogmática cristã, dependendo da interpretação que se dê.


Uma das traduções diz “paz na terra aos homens a quem Ele quer bem”, falando das escolhas de Deus, o criador.


Essa linha dogmática fala da soberania de Deus, mas deixa um questionamento em muitas mentes quanto a Deus escolher querer bem a alguns e, a outros, não. Para quem se interessar sobre o assunto, a epístola de S. Paulo aos Romanos, capítulo 9 é um prato cheio.


Há uma versão que diz “...paz na terra aos homens aos quais Ele concede o seu favor”, novamente falando da escolha de Deus, não do homem. Outra ainda diz “...paz na terra, boa vontade para com os homens”.


A parte do “Glória a Deus nas alturas” é, praticamente, uma unanimidade na Cristandade. A celeuma se abre na segunda parte do versículo.
Jesus, anunciado pelo famoso e conhecido texto da anunciação, fala sobre isso nas bem aventuranças: “Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.


Interessante que, por um lado, Jesus foi anunciado como o pacificador, o rei da paz. Príncipe da paz. Desde a anunciação.


Paz é um substantivo interessante. Depende de um complemento, da ausência de sua antítese, a guerra.


Jesus, na dogmática cristã, veio trazer a paz com o criador, pacificar as relações do homem caído com o seu Deus. Nesse contexto a palavra é empregada nos versos bíblicos que falam da anunciação.


Por outro lado, os filhos de Deus, aqueles que fazem a paz com o criador, não devem esperar vida mansa aqui na terra. O próprio Jesus, falando da relação dos filhos de Deus com os que escolhem outros caminhos diz “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mateus 10:36). E segue “aquele que não está comigo está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha”.


A anunciação traz a mensagem da paz com o Criador. Uma porta aberta, estreita, que depreende escolhas firmes e coerentes com a fé que se professa. Mas traz guerra com os que não fazem as mesmas escolhas.


Entre nós há os que debruçam-se sobre o exercício do poder, buscando a si posições melhores do que as dos outros. Os que exploram. Os que abusam. Os que confundem prerrogativas profissionais com privilégios pessoais. Os que usam da estrutura que ocupam para perseguir desafetos pessoais e ajudar amigos a galgar postos para os quais não tem preparo. Contra esses, a mensagem do natal traz a guerra, a espada.


Mas, para os que aceitam o sacrifício vicário de Cristo e as consequências práticas desta escolha, na forma do dogma Cristão, há paz com o Criador.
A ideia do opositor, do acusador, é indissociável da ideia de guerra com Deus.


Nas sagradas escrituras o papel de acusador cabe ao chamado “inimigo”, o diabo. O Satanás. O pai da mentira. O que acusa gente inocente.
A paz ofertada pelos anjos na anunciação é com o criador. Mas, uma vez pacificada a relação da criatura com o criador, a guerra com o inimigo comum - o acusador - está declarada.


Se quer paz com Deus, prepare-se para a guerra com o acusador e seus pares. simples assim.


Ah, uma coisa é um “homem de bem”. Outra coisa é “homem de bens”. Não vale confundir, apesar da diferença estar apenas em uma letra, é muito profunda em seu significado.


Como diziam os romanos, Si vis pacem, para bellum 



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