SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Exultai de alegria

20/03/2021 - Dom Orani

Estamos no IV Domingo da Quaresma, chamado de Domingo “Laetare”. “Laetare”: alegra-te, em latim. Na antífona de entrada do Missal Romano está escrito, para a Missa de hoje: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. São palavras do Profeta Isaías, no capítulo 66. Após termos vivido na sexta e no sábado as 24 horas para o Senhor, e aproximando-nos da Páscoa, é muito oportuno este convite à alegria, a esta altura da Quaresma.
Já passamos a metade da quaresma, estamos a meio caminho para a celebração da Ressurreição do Senhor: a Igreja nos convida à alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí hoje a cor rósea e as flores na Igreja. “Alegra-te, Jerusalém!” – Jerusalém é a Igreja, é o Povo santo de Deus, o novo Israel, é cada um de nós. Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!
A primeira leitura (cf. 2Cr 36,14-16.19-23) mostra o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: “Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de seus mensageiros, porque tinha compaixão do seu povo. Mas eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não teve mais jeito” (2Cr 36,14-16). Com estas palavras dramáticas o autor sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo foi expulso do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no exílio de Babilônia. Aqui aparece toda a gravidade do pecado e suas consequências: o exílio do coração, a escravidão da vida!
A Escritura Sagrada nos ensina que Deus nunca faz pouco do nosso pecado, nunca passa a mão na nossa cabeça, jamais faz de conta que não pecamos! Porque realmente nos ama, nos leva a sério, faz conta de nós! Ora, o pecado, afastando-nos de Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por isso mesmo causa a ira de Deus! Pois bem, o Senhor levou, então, seu povo para o terrível deserto do exílio para corrigi-lo e fazê-lo voltar de todo o coração para Aquele que é seu único bem, sua verdadeira riqueza – aquele que é o seu Deus! É por misericórdia que ele corrige Israel, por misericórdia que nos corrige: “Pois o Senhor não rejeita para sempre: se ele aflige, ele se compadece, segundo sua grande bondade. Pois não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem” (Lm 3,31-33). Deus é amor e misericórdia. A leitura do Livro das Crônicas nos mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor fá-lo voltar para a terra prometida. Sim, efetivamente, “não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem”.
A segunda leitura (cf. Ef 2,4-10) está fortemente marcada por uma constatação que reforça o raciocínio dos textos anteriores: é pela graça de Deus que somos salvos, não pelas obras. Estas são também fruto do desígnio divino que nos arranca da morte para vivermos a união com Cristo. Assim, a alegria deste domingo quaresmal configura-se como verdadeira bem-aventurança, pois é resultado do agir de Deus que nos faz participantes da vida do seu Filho pela fé.
O Evangelho (cf. Jo 3, 14-21) nos apresenta a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 14-16). No deserto, os hebreus olhavam a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação. Faz lembrar a cruz onde foi levantado o Filho do Homem. Da Cruz de Jesus brota a vida e a salvação para todos. Ao olhar com fé para esse sinal, ficamos curados.
Neste tempo de conversão, que é a Quaresma, meditemos na Cruz, na alegria da Cruz! É sempre o mesmo júbilo de estar com Cristo: “Somente d’Ele é que cada um de nós pode dizer com plena verdade, juntamente com S. Paulo: ‘Ele me amou e se entregou por mim’” (Gl 2,20). O tempo da Quaresma que conduz à Paixão – e portanto à dor –, compreendemos que aproximar-se da Cruz significa também aproximar-se do momento da Redenção, e por isso a Igreja e cada um dos seus filhos se enchem de alegria.

 


Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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