SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Bolha? Mas que bolha?

14/10/2020 - Thamir Marin

Nas últimas semanas, o termo “bolha de preços” foi mencionado com grande recorrência, tanto na mídia local como também na mídia internacional. É importante frisar que o ambiente atual é propício para bolhas em preços de ativos. Isso porque quase todas as vezes que saímos de uma grave crise global, alguma bolha de ativos se forma no horizonte. Exemplos de bolhas de preços de ativos nos últimos 20 anos não faltam: a bolha da internet de 1999/2000, a bolha imobiliária de 2007 nos EUA, que pode ter sido causada por políticas excessivamente expansionistas do FED (Banco Central americano). Além dessas, podemos citar a bolha das ações chinesas em 2015, a bolha do Bitcoin em 2017, a bolha das ações de Cannabis em 2018, entre outras. O ambiente mais recente, principalmente após a crise de 2008, tem sido propício para a formação de bolhas de preços de ativos no mundo. Os fatores comuns nos excessos, que leva à formação de bolhas de preços, são: Os fatores comuns nos excessos, que leva à formação de bolhas de preços, são: 1. Excesso de liquidez – esse cenário já existe no mundo, dado toda a injeção recorde de dinheiro novo no mundo; 2. Excesso de otimismo – na nossa visão, ainda não vemos esse cenário para além de alguns ativos (como o setor de tecnologia); 3. Premissas exageradas sobre o futuro – novamente não parece ser o caso ainda, excluindo em alguns casos específicos, que são mais difíceis de justificar o valor (como as ações da Tesla, por exemplo). 4. Se olharmos apenas para os retornos das principais bolsas ao redor do mundo em 2020, essa discussão não faria muito sentido, dado que ainda vemos a maioria das Bolsas no mundo caindo no ano, com exceção dos EUA. Esses retornos parecem estar longe de um cenário que poderíamos chamar de bolha de preços. Enquanto sempre existem excessos de otimismo e euforia no mercado em relação à determinados ativos, acredita-se estar muito longe de um cenário de “Bolha” no Brasil, dado que temos a pior Bolsa em termos de performance em 2020 no mundo. Mas e o setor de tecnologia, já podemos chamar de bolha? Essa pergunta é pertinente, dada a rápida apreciação das ações do setor de tecnologia desde março. O índice das empresas de tecnologia nos EUA, o Nasdaq Composite, sobe 31% desde março, e +30% no ano, sendo a melhor Bolsa do mundo em performance. Esse movimento vem sido liderado por um seleto grupo de empresas dentro do setor de tecnologia, as FAANMGs, são elas Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Microsoft e Google. As FAANMGs já sobem 116% desde março e +79% no ano. A Apple também alcançou a marca em agosto de ser a primeira empresa a valer a impressionante marca de US$2,0 trilhões (a Bolsa brasileira INTEIRA vale U$750 bilhões). As ações de tecnologia são candidatas a entrarem em um cenário de bolha de preços, em que os preços se descolam dos fundamentos e métricas de valor e os ativos viram uma “mania”, na qual as pessoas investem naqueles ativos apenas porque esperam que os preços subam mais no curto prazo. A Tesla talvez seja um expoente desse movimento. Porém, para o setor de tecnologia como um todo, é difícil justificar que já estamos em uma bolha de preços atualmente.

Thamir Marin: Formado em Economia pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), trabalhou como analista de valores mobiliários pela Enfoque Informações Financeiras e como assessor credenciado a XP Investimentos. Atualmente trabalha como assessor de investimentos credenciado a corretora do Banco Safra e é sócio do escritório Öküs Capital Investimentos. Contato (19) 9.9195-7220.


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