SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Saindo da zona de conforto

02/11/2020 - Alessandra Pimenta

Ter tudo sobre o nosso controle promove satisfação e segurança, mas a previsibilidade também cansa! Entretanto dá medo de pisar com os dois pés em um lugar desconhecido, não é verdade? Quando algo muda de forma inesperada e a vida quebra para um caminho não previsto, demora um pouco até sabermos o que fazer, sabermos qual a direção do próximo passo. O fato é que não é fácil romper com algo seguro, previsível, confortável, porém não é possível o crescimento pessoal sem assumir o risco da perda. Quando algo se transforma significativamente dentro de si, nos damos conta que só conseguimos crescer quando assumimos o risco de perder. Precisamos acreditar que a mudança é algo que vale a pena, pelo simples fato dela valer mesmo! Você já questionou suas zonas de conforto? O que tem mantém seguro e estável? Isso realmente te faz feliz? Este texto é sobre aprender a perder e aprender a crescer. Aprender a perder não é apenas não sofrer pelo que não deu certo, mas ter a consciência de que o movimento vale a pena. É não definir as coisas pelo resultado delas, mas pelo seu processo! É diante de um fracasso olhar pra trás e compreender que ainda que não tenha conseguido subir ao topo da montanha, não tenha conseguido o resultado que gostaria nesta tentativa, saber que conseguiu quebrar as correntes que te prendiam a base da montanha. Um local no qual não havia mais crescimento, nem desenvolvimento, um lugar onde não era possível mostrar seu potencial, onde se sentia espremido, encaixotado, um lugar onde você não cabia mais! Conseguir quebrar as correntes que nos prendem a base da montanha já é uma enorme vitória, aprecie e comemore esta vitória. Tenha calma, este processo nem sempre é rápido. Lembre-se que quando você se arrisca e não dá certo, você não cai no mesmo lugar! Você já caminhou, já não é mais o mesmo, já não está mais igual a antes, você evoluiu de alguma forma. Agora você já sabe que teve a coragem de sair do lugar! Aprenda a definir as coisas pelo processo e não somente pelo resultado. Pensando em zona de conforto, penso que precisamos naturalizar o fracasso! Naturalizar o que não deu certo, o que saiu do controle, o que apesar de termos feito tudo ainda não foi suficiente. Porque perder, fracassar, receber a carta do divorcio, do projeto negado, da demissão, do projeto negado, do teste reprovado, é sinal que estamos em movimento, que andamos, e nenhum caminho que a gente anda é perdido. O ultimo capitulo só define toda a história nos livros, na nossa própria história gente pode se refazer, escolher outros caminhos, tentar de novo. Você não precisa se definir pelos seus fracassos, nós podemos nos refazer depois que tudo deu errado, aliás aprender a levantar é infinitamente melhor do que aprender a cair. Porque quanto a cair, cairemos mesmo, o que importa de verdade é como você vai se levantar, afinal só aprendemos a jogar nos colocando no campo, só aprendemos a ter coragem nos expondo aos riscos. O que você está esperando para se levantar e sair desta zona de conforto? Sair da zona de conforto é assumir que você vai precisar fazer alguns caminhos, acompanhado apenas de si mesmo. Que vai perder algumas pessoas, que nem todos terão condições de te aplaudir e aceitar todas as suas versões e decisões, que as relações mudarão e o nosso olhar sobre as pessoas também. Embora seja muito difícil de lidar e não indolor, fazer este caminho sabendo que nem todo mundo que começou conosco irá continuar junto pode dar um pouco de alento. Nossa responsabilidade perante a mudança é olhar para o que mudou, agradecer, e deixar ir. Olhar para vida como fluxo, com algo móvel. Compreender que nada “é”, tudo “está”. As coisas passam por nós, nos ensinam e permanecem o tempo que é preciso. Embora seja mais confortável ter tudo estamos acostumados, é quando a vida quebra para lados desconhecidos que reconhecemos coragens que desconhecíamos. Uma vez fora da zona de conforto é importante saber que é normal ter vergonha, medo, insegurança, vontade de se esconder, de sair correndo. Estar neste lugar é lidar com o susto, com o descontentamento, e com a vontade de desistir. Abandonar a zona de conforto é abandonar um lugar no qual você já tinha uma identidade, e o novo de fato pode ser desesperador. Nestas horas o que acalma é pensar: O que me fez dar este passo? Isso me ajuda a trilhar o caminho que eu quero? Estou construindo hoje o que eu quero viver amanhã? Estes questionamentos ajudam a seguir em frente! Concordo que questionar as zonas de conforto, é desagradável, mas não viver por causa do medo de viver é ainda mais! O que você escolhe? Publicado na edição 1639 de 22/10/2020

Alessandra Pimenta de Souza é psicóloga Clínica, inscrita no CRP 06/137648 e atua com foco na terapia comportamental. Contato: (19) 99291-9886 – Instagran: @alessandrapiment.psi


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