SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Perseverando em relacionamentos sofridos

12/11/2020 - Thiago da Silva Vieira

Sua esposa lhe disse: “Você ainda tenta manter sua integridade? Amaldiçoe a Deus e morra!”.
Jó 2:9 NVT


A esposa de Jó revela o egoísmo natural da raça humana, onde os relacionamentos são baseados não no amor ao próximo, mas no amor a nós mesmos. Jó estava sendo fiel a Deus, mesmo diante de um terrível sofrimento.

Ele havia perdido todo seu dinheiro, poder, filhos e saúde. Porém, Jó tinha Deus e o adorava apesar do seu sofrimento. Isso era inconcebível para a sua esposa. Segundo sua visão de mundo, Deus não era mais digno de ser amado. Ela estava concordando com Satanás que acusou Jó de servir a Deus por interesses egoístas, uma espécie de contrato cósmico, onde o crente cumpre sua parte sendo fiel adorador, enquanto Deus cumpre a Sua, abençoando o crente (Jó 1:9; 2:4).

Para Satanás, Jó usava Deus para manter seus desejos egoístas, enquanto Deus precisava comprar adoração de Jó, uma espécie de fracasso divino em ser adorado por quem Ele é. O engano de sua esposa, era que Jó merecia ser abençoado, que ele tinha o controle sobre Deus e suas bênçãos.

Jó era fiel, porém, Deus era injusto por não cumprir com o contrato. Logo, o contrato deveria ser desfeito, fugindo do sofrimento, amaldiçoando Deus e cometendo suicídio. Dar para imaginar Satanás sussurrando no ouvido de Jó: “Isso, isso!”. Sem o Evangelho, entramos em relacionamentos afirmando que amamos as pessoas, que queremos servi-las, mas, na verdade, queremos seus benefícios.

Ouvimos juras de amor entre casais quando estão se conhecendo, mas quando surgem as dificuldades que acompanham todo relacionamento, preferem fugir do sofrimento, do que servir e amar em meio ao sofrimento.

Divórcios acontecem porque pessoas têm o casamento como um contrato, onde o amor é condicional. Se as expectativas quanto ao cônjuge não forem satisfeitas, o contrato é rompido. Isso não é amor, o amor não está interessado em seu próprio bem, mas no bem do próximo, não é condicional, mas incondicional (1 Co 13:4). Se você abandona quem você dizia amar porque te fez sofrer, você nunca amou aquela pessoa, apenas a si mesmo.

Não estou me referindo a relacionamentos onde há risco de morte. Vivemos em uma era onde as pessoas são individualistas, buscando fazerem a si mesmas felizes, quando algo traz sofrimento, precisa ser removido e substituído. O reflexo de nossa cultura tem adentrado nas igrejas, onde os fiéis servem a Deus por interesses egoístas.


Deus tornou-se apenas um meio para obtenção de seus variados desejos, Cristo é apenas o caminho não para Deus, mas para a saúde, a riqueza ou um casamento feliz. Esse era o pensamento da esposa de Jó, é a cosmovisão de Satanás. Esse tipo de relacionamento decepciona a todos, pois, quem é motivado dessa forma não está preparado para sofrer perdas, quando a expectativa é frustrada, surge a tristeza, a depressão, e o fim do relacionamento. O egoísmo traz sérios prejuízos, pois, não fomos criados para nós mesmos, a felicidade não pode ser encontrada segundo nossas regras, mas segundo a vontade daquele que nos criou.


Somos pecadores, imerecedores de qualquer benefício Divino. Deus se relaciona conosco não porque há em algo atraente em nós, ou porque fazemos algo de que Ele necessite, mas, porque Ele é Gracioso, Amoroso e Benevolente. É quem Deus é a razão de sermos abençoados.


Afinal, Quem primeiro deu Ele, para que Ele haja de retribuir-lhe? Jó 41: 11. Se Deus não nos deve nada, porque ficar irado, triste ou murmurando quando as coisas não vão bem? Saber que tudo que temos é Dom de Deus, fará com que as circunstâncias não nos controlem. Nós serviremos a Deus porque o amamos como Ele é, nosso maior Tesouro. O Evangelho molda nossos relacionamentos, se Deus nos ama graciosamente, e o servimos porque o amamos, sem exigências em troca, também não trataremos nosso próximo baseado em méritos, por egoísmo de sermos apenas beneficiados nessa relação.

Quando alguém nos afronta jamais diremos: “Não foi para isso que eu assinei o contrato”. “Ela não está cumprindo o lado dela no acordo”. “Ele não provê aquilo que eu pensava. “Ela mudou, não era assim no início”. “Não fez isso então não vai ter aquilo.” Diremos: “estou com vocês até o final, venha o que vier, pois minha alegria não está em meus desejos atendidos, mas em Cristo”. Jó entendeu isso muito bem ( Jó 1:21; 2:10).

Se Existiu um homem justo, que possuía méritos infinitos, que merecia ser tratado da melhor forma possível, que poderia exigir ficar livre de qualquer sofrimento, foi o nosso Senhor Jesus Cristo. Mas ele abriu mão dos seus direitos, veio não para ser servido, mas para servir, amar e perdoar seus inimigos morrendo em uma cruz. Devemos imita-lo, mas er Jesus Cristo apenas como modelo de amor, irá te destruir, pois nunca jamais você será perfeito igual a Ele, porém você precisa dele como seu Salvador.

Creia nele.


Thiago da Silva Vieira 

Publicado originalmente na versão impressa, edição 1641 em 7 de novembro de 2020



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