SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Pedi e obtereis

12/11/2020 - Isabel Scoqui

Os Espíritos sempre disseram: “A forma não é nada, o pensamento é tudo. Faça cada qual as suas preces de acordo com as suas convicções, e da maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração.”


Os Espíritos não prescrevem nenhuma forma absoluta de preces, e, quando nos dão alguma, é para orientar nossas ideias, para chamar a nossa atenção sobre certos princípios da Doutrina Espírita.


O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, desde que sejam ditas de coração, e não apenas com os lábios. Não impõe e não condena nenhuma. Deus é sumamente grande para repelir a voz que implora ou que lhe canta louvores. Quem quer que condene as preces que não constem de seu formulário, demonstra desconhecer a grandeza de Deus, Acreditar que Deus se apegue a determinada fórmula é lhe atribuir a pequenez e as paixões humanas.
Em Mateus Cap. VII versículos 7-11, Jesus nos ensina: “Pedi e obtereis, buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á.”


No entanto, seria ilógico concluir-se que basta pedir para obter, e injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. A criatura, frequentemente, espera favores materiais, destaque entre os infelizes, dominação e louvor permanentes. Quer receber, mas despreza servir, estimar, entender se não houver retribuição. Tenta estabelecer um comércio com a divindade, através de promessas e petitórios sem fim.


O que Deus concederá, se o pedido vier acompanhado de confiança, é a coragem, a paciência, a resignação, os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda de ideias sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que caberá à criatura o mérito de suas ações. Deus assiste os que ajudam a si mesmos, segundo a máxima: “Ajuda-te e o céu te ajudará”, e não os que tudo esperam do socorro alheio, sem usarem as próprias faculdades por um milagre, sem nada fazerem.


Mas quando nos encontramos numa situação em que estamos impedidos de agir, de modificar por nós mesmos, se a nossa fé for robusta e confiante, aí se aplica o “Pedi e obtereis”. Um exemplo disso, é a passagem do cego de Jericó, no Evangelho de Lucas. Segundo ele, perto de Jericó havia um cego assentado junto do caminho, mendigando. Ao ouvir a multidão passar, perguntou o que era aquilo. Responderam-lhe que Jesus, o Nazareno, vinha cercado de muitas pessoas.

Imediatamente o cego clamou, dizendo: Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim. Os que passavam o repreendiam para que ele se calasse. Mas ele clamava ainda mais alto pela misericórdia do Cristo.


Então, Jesus parou e mandou que lhe trouxessem o pedinte. Quando esse foi posto ao seu lado, indagou o que queria que lhe fizesse. O cego respondeu: Senhor, que eu veja. Jesus lhe disse: Vê; a tua fé te salvou. O mendigo imediatamente passou a ver e a seguir Jesus, glorificando a Deus.
Essa narrativa enseja interessantes reflexões. Retrata qual deve ser o propósito dos seres em evolução, perante as bênçãos celestes. Um miserável se encontrou com o representante da Misericórdia Divina na Terra. Nessa oportunidade tão magnífica, ele pediu para ver. O objetivo desse cego honesto e humilde deveria ser o de todos os homens.


Mergulhados na carne ou fora dela, com frequência nos assemelhamos ao pedinte de Jericó. O trabalho da vida nos chama. A luz do conhecimento nos abençoa. O afeto da família nos sustenta. As oportunidades se nos apresentam, instigantes e preciosas. Mas permanecemos indecisos, à beira do caminho. Sem coragem de marchar para a realização elevada que nos compete atingir. É como se esperássemos facilidades imensas.


Precisamos apender a pedir o dom de ver, com a exata compreensão das particularidades do caminho evolutivo. Desse modo, podemos esperar que o Senhor nos conceda o dom de enxergar todos os fenômenos e situações, pessoas e coisas, com amor e justiça. Com esse dom, cada qual possuirá o necessário à própria alegria imortal e terá cumprido a tarefa que lhe cabe.

 

 

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo e Redação do Momento Espírita. 

Publicado originalmente na edição impressa, número 1641, de 7 de novembro de 2020



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