SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte

03/12/2020 - Maria Betânia dos Santos Chaves

 O Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra as Mulheres é comemorado anualmente em 25 de novembro, mas poucas de nós sabemos a história por trás dessa data. Antes de pesquisar sobre o assunto, eu mesma não sabia.

A data foi definida para homenagear as irmãs Mirabal, Patria Mercedes Mirabal, Minerva Argentina Mirabal e Antônia María Teresa Mirabal, ativistas dominicanas que ficaram conhecidas como Las Mariposas e se opuseram à ditadura de Rafael Leónidas Trujillo, sendo assassinadas em 25 de novembro de 1960. O crime impactou o mundo inteiro fazendo com que a data fosse anualmente lembrada em homenagem a elas.


Elas cresceram em uma zona rural, no município de Salcedo (hoje província Irmãs Mirabal). Quando Trujillo chegou ao poder, a família das irmãs perdeu a casa e todo o seu dinheiro. As irmãs acreditavam que Trujillo levaria o país ao caos econômico e, então, formaram um grupo de oposição ao regime.


Foram presas e torturadas várias vezes. Apesar disso, continuaram na luta contra a ditadura. Trujillo decidiu acabar com Las Mariposas em 25 de novembro de 1960, enviando homens para interceptar as três mulheres quando iam visitar seus maridos na prisão. Las Mariposas foram pegas desarmadas e levadas para uma plantação de cana-de-açúcar, onde foram apunhaladas e estranguladas com o motorista Rufino de La Cruz. Com os ossos quebrados, seus corpos foram colocados de volta no carro e lançados num precipício, a fim de simular um acidente. As mortes repercutiram, causando grande comoção no país e, pouco tempo depois, o ditador foi assassinado.


“Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte”. Foi esta frase que, no início da década de 60, Minerva Mirabal deu como resposta aos que avisaram sobre a intenção do presidente e ditador Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961) de matá-la.


Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas estabeleceu a data como o Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher, em memória de Las Mariposas. Desde então, a valentia de Minerva, Patria e María Teresa se faz sentir a cada 25 de novembro.


Quantas outras mulheres foram assassinadas desde então? Estamos em 2020 e a pandemia que nos colocou em isolamento aumentou os números de violência de gênero. A violência doméstica, os estupros, as agressões subiram em diversos países. No Brasil atual, as mulheres são alvos fáceis de homens que se consideram no direito de violentar e de matar, o que é possível analisar a partir dos dados do Atlas da Violência 2020, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Assim, constata-se que uma mulher é assassinada a cada duas horas e, só em 2018, foram 4.519 vítimas.


Entretanto, dia 25 de novembro não é apenas sobre a mutilação da mulher, nem apenas sobre o assédio ou algum tipo de humilhação velada, nem por ser uma mulher com algum tipo de deficiência, ou por classe social, ou por sua raça/etnia, ou por sua orientação sexual.


O dia 25 de Novembro deve ser a data da causa feminista e da defesa dos Direitos Humanos de todas as mulheres. Ser feminista é ser da luta pelo fim da violência contra qualquer mulher. Por isso, nesse dia tão importante vamos repetir em sororidade: “Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte”.

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.


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