SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

A educação financeira funciona?

03/12/2020 - Thamir Marin

No período em que estive na faculdade tive a oportunidade de participar e estudar sobre programas de educação financeira que atuam com públicos diversos, desde escolas até idosos de baixa renda.


Esses programas passaram por avaliações de impacto, lideradas pelo Banco Mundial, comprovando eficácia tanto no letramento, isto é, a aprendizagem de educação financeira, quanto no comportamento dos indivíduos que passaram pelos programas.


Mergulhando mais a fundo, podemos encontrar muitas pesquisas sobre educação financeira, publicadas nos últimos anos. Todas buscam identificar a validade dos programas de educação financeira. É difícil resumir todos os artigos em apenas um discurso e é por isso que na ciência existe uma técnica chamada meta-análise, que agrega os estudos de um determinado tema para encontrar um denominador comum.


A mais recente meta-análise sobre a efetividade dos programas de educação financeira foi desenvolvida pela equipe da Dra. Annamaria Lusardi, Diretora do Centro de Letramento Financeiro da George Washington University (GFLEC), nos EUA, o grande expoente de estudos neste assunto.
A meta-análise da Dra. Lusardi teve o objetivo de responder a minha pergunta no início do texto: a educação financeira realmente funciona? Resumindo em poucas linhas, o estudo do GFLEC trouxe três grandes descobertas.


A primeira é que há evidências claras de que a educação financeira afeta tanto o conhecimento financeiro quanto o comportamento financeiro. As estimativas dos efeitos da educação financeira são de três a cinco vezes maiores do que as estimativas fornecidas em estudos anteriores, incluindo meta-análises anteriores. Isso mostra que os programas de educação financeira nos EUA, por exemplo, estão ficando mais eficazes com o tempo.


A segunda descoberta é que o impacto da educação financeira é grande o suficiente para fazer diferença na vida das pessoas. O impacto é comparado, por exemplo, com as intervenções feitas nos EUA para prevenir o tabagismo ou melhorar a alimentação dos cidadãos.


A terceira descoberta é relativa à persistência da educação financeira. Nos estudos do GFLEC não foram encontradas fortes evidências de que os efeitos da educação financeira possam diminuir com o tempo. A educação financeira que o jovem aprende persiste em sua vida adulta!


É fascinante quando conseguimos medir por números os efeitos e resultados do que fazemos. Dados concretos e evidências são inquestionáveis. Mais ainda, estamos diante de um desafio inigualável na nossa história recente e percebemos que as pessoas não têm por hábito juntar uma mínima reserva financeira para atravessar uma crise. A educação financeira funciona e se faz, mais do que nunca, necessária pois está se tornando dolorosamente óbvio saber que algumas coisas são essenciais, não apenas para administrar nossas finanças, mas para sobreviver a uma crise.


Melhorar a educação financeira da população deve fazer parte da estratégia de recuperação pós-COVID. A educação financeira é uma ferramenta para seguirmos mais bem preparados para o futuro, para os choques e também contribui para ampliar a capacidade econômica das pessoas.


É a hora de pressionarmos por mais educação financeira nas escolas, no ambiente de trabalho, em diversos formatos e para diferentes públicos.  Voltando à nossa pergunta original: a educação financeira funciona? Eu já te respondo: funciona e é mais fácil do que você pensa.

 

Thamir Marin: Formado em Economia pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), trabalhou como analista de valores mobiliários pela Enfoque Informações Financeiras e como assessor credenciado a XP Investimentos. Atualmente trabalha como assessor de investimentos credenciado a corretora do Banco Safra e é sócio do escritório Öküs Capital Investimentos. Contato (19) 9.9195-7220.


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