SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo

03/12/2020 - Dom Orani

Estamos celebrando, o último Domingo do Tempo Comum, e a Igreja contempla, adora e proclama o seu Senhor, Jesus Cristo, como Rei e Senhor do universo! Depois de termos percorrido todo o Ano Litúrgico, começando com o Advento que nos preparava para o Natal; depois de termos atravessado a penitência quaresmal e o júbilo pascal, depois das trinta e três semanas do longo Tempo Comum, eis-nos agora, ao final do ano da Igreja, proclamando que o Senhor do universo, o Rei do tempo e da eternidade é o Cristo nosso Deus!


A solenidade de hoje foi instituída no Ano Jubilar de 1925 pelo Papa Pio XI com a Carta Encíclica “Quas Primas” (QP), com o qual coincidiu o 16º centenário do Concílio de Nicéia, que proclamara a divindade do Filho de Deus; este Concílio inseriu também em sua fórmula de fé as palavras: “cujo reino não terá fim”, afirmando assim a dignidade real de Cristo (cf. QP 2).


Quando nós cristãos confessamos que Cristo é Rei, de que reinado estamos falando? A que Reino estamos nos referindo? Nós realmente acreditamos com todo o coração e confessamos com toda convicção que Jesus Cristo – e só ele! – é Rei: Rei do universo, Rei da história, Rei da humanidade, Rei da vida de cada pessoa humana, cristã ou não-cristã. Ele é Rei porque é Deus feito homem, é, como diz a Escritura, aquele “através de quem e para quem todas as coisas foram criadas, no céu e na terra… Tudo foi criado através dele e para ele… Ele é o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1,1518).
Cristo Rei anuncia a Verdade e essa Verdade é a luz que ilumina o caminho amoroso que Ele traçou com sua Via Crucie, para o Reino de Deus. “Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta minha voz.” (Jo 18, 37). Jesus nos revela sua missão reconciliadora de anunciar a verdade ante o engano do pecado. Deus mesmo se faz homem e devolve à humanidade a possibilidade de retornar ao Reino, quando qual Cordeiro se sacrifica amorosamente na cruz.


Cristo Rei foi uma das últimas celebrações instituída pelo Papa Pio XI, na época em que o mundo passava pelo pós-guerra de 1917, marcado pelo fascismo na Itália, pelo nazismo na Alemanha, pelo comunismo na Rússia, pelo marxismo-ateu, pela crise econômica, pelos governos ditatoriais que solapavam toda a Europa, pela perseguição religiosa, pelo liberalismo e outros que levavam o mundo e o povo a afastar-se de Deus, da religião e da fé, culminando com a 2ª Guerra Mundial. O Papa Pio XI instituiu essa festa para que todas as coisas culminassem na plenitude em Cristo Senhor, simbolizado no que diz o Apocalipse: “Eu sou o Alfa e o Ômega, Princípio e Fim de todas as coisas.” (Ap1, 8).


Na primeira leitura – Ez 34, 11-12.15-17 – o Povo de Israel, por negligência de seus pastores, afastou-se da Palavra de Deus, e terminou no Exílio na Babilônia. Ezequiel é o Profeta que acompanhou o Povo no exílio, onde anunciou o perdão e a libertação. Deus é bom!


Na segunda leitura –1Cor 15,20-26.28 – vemos que pelo pecado de Adão e Eva, todos estamos no exílio, longe de Deus; mas pela virtude de Jesus Ressuscitado, todos fomos perdoados e alegrados com a promessa de nossa ressurreição, igualmente, gloriosa como a Ressurreição de Jesus!
No Evangelho – Mt 25,31-46 – Jesus no Evangelho, descreve a seguinte cena. O ator principal é o “Filho do Homem”, aquele ser humano que recebe de Deus plenos poderes sobre o mundo, conforme a visão de Dn 7,13-14. É o próprio Jesus. Ele vem com a glória de Deus e reúne diante de si todos os povos. Como um rei – tendo a última palavra em seu reino – Ele vai julgar “todos os povos”.


Assim como um pastor, ao anoitecer, separa os cordeiros dos bodes, para que passem a noite em ambientes diferentes, o rei-juiz separa os bons dos maus. Os dons, ele os faz entrar na sua alegria, porque lhe deram comida, bebida, hospedagem, roupa, assistência na prisão... E eles perguntaram: “Senhor, não sabemos nada disso”. Então responde: “O que fizestes ao mais pequeno desses meus irmãos (os famintos, sedentos etc.), foi a mim que o fizestes”. E os maus, ele os condena, porque não fizeram essas boas ações. Tampouco estes têm consciência de quando foi que não trataram bem o rei. E ele responde: “ O que fizestes de fazer a um desses mais pequenos irmãos, foi a mim que não fizestes”.


Contudo, é na caridade gratuita, sem consideração da pessoa, que se encontra o critério pelo qual Jesus julga “todos os povos”. Na perspectiva dos israelitas, o julgamento se pauta segundo a observância da Lei de Moisés. Mas Jesus veio mostrar que o anúncio ao Reino é para além dos limites do Judaísmo. O que mais agrada a Deus é o amor efetivo que demonstramos para com seus filhos, especialmente os mais insignificantes, os mais pequenos.


 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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