SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Dez temas que desafiaram as mulheres em 2020 e que continuarão em pauta em 2021 - Parte I

17/01/2021 - Maria Betânia dos Santos Chaves

Em todo o mundo a pandemia de Covid-19 e a crise econômica global ameaçam reverter anos de progressos na igualdade de gênero.
Durante 2020, a pandemia de Covid-19 colocou as mulheres diante de novos desafios, que seguirão em 2021. Ativistas e organizações internacionais temem que retrocessos recentes eliminem anos de luta e progressos.


Definitivamente, 2020 não foi um ano fácil para muitas mulheres, tanto que muitos temas consegui trazer para o conhecimento de vocês. Da perda de trabalho e de renda ao aumento da violência doméstica, a pandemia de Covid-19 causou estragos em todo o mundo e, agora, os progressos recentes em igualdade de gênero estão ameaçados. A ONU estima que a desigualdade de gênero será ainda maior em 2021 por causa da crise econômica global instalada pelo novo coronavírus.
Foram muitos os reveses para as mulheres, assim como são muitas as reações de grupos em defesa dos direitos de meninas e mulheres. Aqui estão dez temas que preocupam mulheres e autoridades em todo o mundo. Neste ano de 2021 precisamos estar atentas e fortes.


1 – Trabalho de cuidado não remunerado
Mesmo antes da Covid-19, as mulheres já eram responsáveis por três vezes mais trabalho doméstico e de cuidado não remunerado do que os homens, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2020 essa diferença disparou: foram elas as responsáveis por praticamente todo o cuidado com familiares mais velhos e com os doentes, além das crianças, que, sem aulas presenciais, passaram quase todo o ano em casa.
Uma pesquisa feita com famílias em cinco países desenvolvidos mostrou que o trabalho não remunerado das mães chegou a 65 horas por semana — um terço a mais do que o dos pais (homens).


Um grupo que faz campanha pela igualdade de gênero no Reino Unido afirmou que há sinais “de uma volta aos anos 1950” quando o assunto é a divisão do trabalho. Na Turquia, uma pesquisa descobriu que mulheres fizeram quatro vezes mais trabalho doméstico e de cuidado do que os homens durante o “lockdown”.


2 – Perda de emprego

A Covid-19 afetou de forma desproporcional setores da economia em que as mulheres formam grande parte da força de trabalho, incluindo a hospitalidade, o comércio e o turismo.


Algumas mulheres também passaram a trabalhar menos para se dedicarem aos cuidados extras com a casa e a família. Um relatório mostra que, na Inglaterra, as mães tinham 47% mais chance de perder ou deixar os seus empregos do que os pais.


Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, as mulheres são a maioria dos trabalhadores informais, portanto estão menos protegidas nas crises. A pandemia fez sete milhões de brasileiras deixarem o mercado de trabalho.


No Quênia, 20% das mulheres perderam os seus empregos ou a sua renda em comparação com 12% dos homens, de acordo com o governo do país.
A pandemia teve ainda um impacto terrível em trabalhadoras migrantes. No Líbano, muitas trabalhadoras domésticas foram colocadas na rua por seus patrões, que não podiam mais arcar com os seus salários.


3 – Violência doméstica

Uma realidade muitas vezes varrida para debaixo do tapete, a violência doméstica virou notícia em 2020, ano em que o isolamento social deixou muitas mulheres trancadas em casa com os seus agressores.
A ONU alertou que a crise trazida pela Covid-19 levaria a um aumento de 20% dos casos de violência doméstica e descreveu os abusos como a “pandemia das sombras”. Horrorizado com a explosão de violência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu um “cessar-fogo em casa”.
Serviços de ajuda a essas mulheres receberam mais ligações, mas a realidade é que “lockdowns” e isolamento social tornaram mais difícil para as vítimas conseguir socorro. Alguns países converteram hotéis e albergues em refúgios para mulheres vítimas de violência e criaram iniciativas para encorajar essas mulheres a buscar ajuda em suas idas ao supermercado ou à farmácia.


O número de feminicídios cresceu em todo o mundo. No Brasil, de março a junho de 2020, o aumento foi de 16% em comparação com o mesmo período de 2019.

 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.


Mais artigos de Maria Betânia dos Santos Chaves

Mais notícias

Mais notícias…

Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais