SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Encontramos o Messias

23/01/2021 - Dom Orani

Estamos em um novo tempo litúrgico na Igreja. Estamos no segundo domingo do tempo comum. Este ano é o B, e temos como grande meditação dominical o Evangelista São Marcos. Como é um texto mais curto, em alguns domingos teremos também textos de João, como neste domingo.


Entremos agora na liturgia deste segundo domingo do tempo comum: A liturgia deste domingo nos apresenta como primeira leitura (cf. 1Sm 3,3b-10.19) o capítulo terceiro do 1º livro de Samuel e nos narra como o menino Samuel, por três vezes, ouve a voz que o chama e, pensando no início que é a voz de Eli, se apresenta a este. Na terceira vez, Eli desconfia que a voz seja muito especial e lhe ensina a pôr-se a serviço de Deus que o chama. Então Deus confia a Samuel a missão profética que tem efeito, porque é a palavra de Deus (3, 19; cf. Is 55, 9-10). O profeta Samuel fora dedicado ao serviço de Deus no santuário de Silo, em agradecimento pelo favor que Deus demonstrara a Ana, sua mãe estéril (cf. 1Sm 1,21-28). Mas o serviço no santuário não esgotou sua missão. Antes que Samuel fosse capaz de o entender, Deus o chamou para a missão de profeta. A vocação de Deus, porém, não é coisa evidente. Descobre-se pouco a pouco. Três vezes Samuel ouve a voz, e no início, pensando ser a voz do sacerdote Eli. Este faz Samuel entender que é a voz do Senhor; então, quando ouve novamente o chamado, o jovem responde: “Fala, teu servo escuta”. Escutar é a primeira tarefa do porta-voz de Deus.


A segunda leitura (1Cor 6,13c-15a.17-20) não é estabelecida em função das duas outras leituras. São Paulo trata da mentalidade da comunidade de Corinto, influenciada por uma certa libertinagem. Liberdade, sim, libertinagem, não, é o teor de sua reação. “Tudo é permitido”, dizem certos cristãos de Corinto, e Paulo responde: “Mas nem tudo faz bem” (6,12). Quem se torna escravo de uma criatura comete idolatria: assim se dá com quem se vicia nos prazeres do corpo. O ser humano não é feito para o corpo, mas o corpo para o ser humano, e este para Deus: seu corpo é habitação, templo de Deus, e serve para glorificá-lo. A segunda leitura ressalta que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, ou seja, devemos zelar pelo nosso corpo assim como zelamos pela nossa alma.


O Evangelho (cf. Jo 1,35-42) é tomado de João, no episódio do testemunho do Batista: a vocação dos primeiros discípulos. João Batista encaminha seus discípulos a se tornarem discípulos de Jesus (o tema volta em Jo 3,22-30). À busca desses discípulos corresponde um convite de Jesus para que venham ver e permaneçam com ele (Jo 1,35-39). E a partir daí segue uma reação em cadeia (1,41.45). Pelo testemunho do Batista, os que buscavam o Deus da salvação o vislumbraram no Cordeiro de Deus, o Homem das Dores. Querem saber onde é sua morada (o leitor já sabe que sua morada é no Pai; cf. Jo 14,1-6). Jesus convida a “vir e ver”. “Vir” significa o passo da fé (cf. 6,35.37.44.45.65; também 3,20-21 etc.). “Ver” é termo polivalente, que, no seu sentido mais tipicamente joanino, significa a visão da fé (cf. sobretudo Jo 9). Finalmente, os discípulos “permanecem/demoram-se” com ele (“permanecer” ou “morar” expressa, muitas vezes, a união vital permanente com Jesus; cf. Jo 15,1ss). Os que foram à procura do mistério do Salvador e Revelador acabaram sendo convidados e iniciados por ele.


Vemos no Evangelho tal qual a primeira leitura, a realidade do chamado. Na primeira leitura Samuel é chamado, já no Evangelho, no episódio dos discípulos de Jesus, trata-se da vocação de discípulos para integrar a comunidade dos seguidores. São chamados, antes de tudo, a “vir” até Jesus para “ver” e a “permanecer/morar” com ele. Daí se inicia um processo de “vocação em cadeia”. Os que foram encaminhados pelo Batista até Jesus chamam outros (“André… foi encontrar seu irmão…”). Nessa dinâmica global da vocação cristã se situam as vocações específicas, como a de Simão, que, ao aderir a Cristo, é transformado em pedra de arrimo da comunidade cristã. O encontro com o Senhor marca suas vidas: era por volta das quatro horas da tarde! Até o horário ficou marcado. Logo transborda para outro: foi logo avisar seu irmão...encontramos o Messias! Quanto nos faz falta essas marcas que nos enviam em missão com entusiasmo!


Somos convidados a estar atentos ao chamado que Deus nos faz a cada dia. Sabemos que Deus nos chama em primeiro lugar a viver neste mundo o nosso Batismo, isto é, a santidade. Que possamos olhar o exemplo do Batista, pois ele conduziu as pessoas até Jesus. Que possamos nós conduzir os outros a Cristo.


Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Mais artigos de Dom Orani

Mais notícias

Mais notícias…

Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais