SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Dez temas que desafiaram as mulheres em 2020 e que continuarão em pauta em 2021 - Parte III

30/01/2021 - Maria Betânia dos Santos Chaves

Em todo o mundo a pandemia do Covid-19 e a crise econômica global ameaçam reverter anos de progressos na igualdade de gênero.
Nas duas semanas anteriores, apresentei aqui, sete temas que desafiaram as mulheres no ano que passou e que continuarão desafiando neste ano de 2021.

Segue abaixo a continução dos temas que preocupam mulheres, ativistas e autoridades no Brasil e em alguns outros países.

8 – Saúde materna
Desde o ano 2000, o número de mulheres mortas no parto e de crianças natimortas caiu mais de um terço. Mas profissionais de saúde afirmam que esses ganhos serão perdidos se as mulheres não tiverem acesso a métodos contraceptivos e à saúde reprodutiva.
O Instituto Guttmacher, uma organização americana que pesquisa a saúde reprodutiva, estima que mesmo pequenas interrupções nos serviços de saúde poderiam levar a 15 milhões de gravidezes não desejadas, 28 mil mortes maternas e 3,3 milhões de abortos inseguros.
Em todo o mundo, a pandemia fechou clínicas e programas de saúde reprodutiva para que suas equipes fossem deslocadas para unidades de saúde dedicadas à Covid-19. Além disso, o encerramento de fábricas e o atraso no transporte levou à escassez de contraceptivos e de pílulas abortivas em muitos países.
Apenas na América Latina, a ONU estima que 18 milhões de mulheres e adolescentes podem ter ficado sem contraceptivos, o que potencialmente pode levar a 600 mil gravidezes indesejadas.

9 – Tráfico de mulheres
A pobreza e o encerramento de escolas deixaram muitas meninas e mulheres mais vulneráveis ao tráfico de pessoas, incluindo a exploração sexual online, de acordo com a ONU.
A crise econômica e a perda de trabalho devem aumentar o tráfico de meninas e mulheres de países onde os efeitos do desemprego se prolonguem. Esse padrão já foi visto durante a crise de 2008. Ativistas afirmam que o tráfico de noivas do Camboja para a China já aumentou.
Em todo o mundo, já houve um aumento no sexo online forçado, no qual meninas e crianças são obrigadas a atos sexuais transmitidos ao vivo para clientes na web. Nas Filipinas, considerado o epicentro desse tipo de crime, o abuso online de menores triplicou durante a pandemia.

10 – Pornografia de vingança
As mulheres relatam um aumento na pornografia de vingança — o compartilhamento de imagens íntimas, geralmente feito por um parceiro ou ex-parceiro abusivo — durante períodos de “lockdown”. Pretendo abordar mais a fundo esse tema em breve.
No Reino Unido, os casos dobraram em abril. Na França, uma ativista começou a campanha “stopfisha” para ajudar as vítimas a denunciar os abusos, depois de perceber um aumento no número de fotos e vídeos de jovens nuas com seus nomes.
No Marrocos, uma campanha nas redes sociais encorajou centenas de vítimas da pornografia de vingança a lutar contra esse crime que fez muitas considerarem o suicídio como saída. Mulheres tiveram as suas identidades expostas por parceiros, mas outras foram escolhidas por estranhos que “hackearam” as suas contas nas redes sociais e roubaram fotos e informações.
O abuso sexual digital tornou-se um aspecto da violência doméstica, com parceiros ameaçando compartilhar imagens íntimas explícitas como uma maneira de exercer o controle sobre as mulheres.

 

 

Por Maria Betânia dos Santos Chaves.
 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.


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