SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Pobres e felizes

13/02/2021 - por Thiago da Silva Vieira

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus 5:3 NAA)

O Sermão do Monte descreve as características dos discípulos de Jesus Cristo (Mt 5-7). É a ética do Reino de Deus para os que foram salvos, que entraram no Reino de Deus mediante arrependimento e fé em Jesus Cristo. Inicialmente Jesus fala sobre as oito bem-aventuranças, que são características de uma pessoa feliz. A primeira é a pobreza de espírito. Nesse sentido, Jesus não estava falando de pobreza material, ou seja, que somente os pobres serão salvos, excluindo os ricos do seu Reino. Há pobres, materialmente falando, que não são pobres de espírito, pois obviamente são orgulhosos e rejeitam a Deus em suas vidas. Porém, há ricos que são pobres de espírito e reconhecem que a salvação e suas riquezas vêm de Deus. Não há virtude na pobreza ou na riqueza em si. Ele não está falando de pobreza material, mas espiritual. Sendo assim, tanto um rico como um pobre podem ser pobres em espírito.
Inquestionavelmente, a nossa sociedade possui valores contrários ao Reino de Deus, por isso se alguém serve a Cristo é necessário que venha abandonar os valores da cultura sem Deus. Segundo a cultura que vivemos, o feliz é aquele que é dependente de si mesmo, que é autoconfiante, e aquele que tem “força, foco e fé”, mesmo que essa fé não signifique fé em Deus, mas em si mesmo. Portanto essas ideias controlam os homens desde a sua juventude, que creem que ser forte e independente é uma necessidade humana para consistir em alguém bem visto na sociedade, afinal não aspiram serem vistos como: “um Zé Ninguém”. Afinal, homens devem conquistar, não podem fraquejar, não podem chorar, não devem pedir perdão, não podem voltar atrás em seus planos mesmo que estejam errados. Dessa forma, temos uma infinidade de homens que se dizem fortes, no entanto são verdadeiramente covardes, egoístas e trapaceiros. Não reconhecem sua dependência de Deus, mesmo sendo pó, querem ser deus.
Semelhantemente, segundo a cultura, as mulheres devem ser independentes de seus maridos, terem auto expressão, se libertar de tudo que as reprimem, serem empoderadas, mostrando seu valor diante da sociedade que ainda é machista. As outras mulheres devem olhar para elas e dizer: é dessa maneira que quero ser: autoconfiante, segura e auto dependente. Esse pensamento torna mulheres escravas de si mesmas e da sociedade em que vivem, que estabelece um padrão que poucas podem alcançar, gerando ansiedade, medo e depressão nas “fracassadas “. Porém, no Reino de Deus é diferente, a Escritura não ensina que devemos nos comparar com outras pessoas. No mundo você é forte em comparação a alguém, assim existem os fortes e os fracos, os felizes e os infelizes, os vencedores e os perdedores, os pobres e os ricos. Porém, quando Jesus fala em pobreza de espírito Ele está falando de quem somos diante de Deus, não diante de nosso próximo. Sendo assim, diante de Deus todos somos pobres, falidos espiritualmente, pecadores dependentes de Deus para a salvação ou para qualquer outra coisa. A questão é que muitos não reconhecem essa
verdade, são arrogantes, confiam em si mesmos, em seus desempenhos para impressionar a Deus e ao próximo.
Segundo a Bíblia, nossa condição natural é de pobreza espiritual, nascemos pecadores, separados de Deus, porém, para que alguém seja salvo de sua condição de alienação espiritual, é necessário reconhecer sua miserável condição diante de Deus. Nesse sentido, Jesus está falando, não é somente para você saber quem você é diante de Deus, mas que ao tomar conhecimento de quem você é, você reconheça isso. Jesus está dizendo que para ser um seguidor dele, você precisa reconhecer que é pobre de espírito. No Antigo Testamento a expressão “os pobres” é utilizada para designar um grupo específico de pessoas. Quem são essas pessoas?
No Salmo 40.17, o autor se descreve como “pobre e necessitado” e pede ao Senhor para que se lembre dele e o salve: “Quanto a mim, pobre e aflito, que o Senhor me mantenha em seus pensamentos. Tu és meu auxílio e minha salvação; ó meu Deus, não te demores!” (Sl. 40:17). Ver também Sl 69:32-33. Esses textos tratam sobre alguém que é fraco, incapaz de proteger e salvar a si mesmo, alguém necessitado, dependente e que tem sua única esperança e auxílio em Deus. No grego, há duas palavras para designar “pobreza”: a primeira delas é penês — é usada para descrever um homem que precisa trabalhar para suprir suas necessidades. Ou seja, ele não tem dinheiro guardado, não é rico. Mas ele também não passa necessidades porque ele trabalha. A segunda palavra é ptokós – descreve a pobreza absoluta. É alguém miserável que não tem o que comer, nem o que vestir. É alguém pobre como um mendigo, que precisa clamar, pedir, pois vive da ajuda dos outros. É uma pessoa extremamente necessitada. Essa segunda é a palavra que Jesus usa aqui: “Feliz é o homem que reconhece sua total dependência de Deus como um mendigo e põe a sua confiança em Deus.” Ser pobre de espírito é reconhecer nossa total dependência de Deus. É a confissão de que nada do que façamos, nenhuma de nossas obras podem nos fazer aceitáveis diante de Deus. Ser pobre de espírito é se arrepender dos nossos pecados e confiar em Cristo somente para nossa salvação. Ser pobre de espírito é agir como o publicano que, orando, estando diante de Deus, considera sua falência espiritual, mostrando que necessita totalmente de Deus: “Oh Deus, tem misericórdia de mim, pecador” (Lc 18.13). É como Paulo em Romanos 7, quando contemplou a incapacidade humana de viver segundo o padrão da lei de Deus, exclamou: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24).
A esses tipos de pessoas pertencem o Reino dos céus, onde Deus se faz presente com todas suas bênçãos, por isso são felizes, independentemente dos aplausos da sociedade. Precisamos abandonar nossa auto-dependência para dependermos de Deus, nossa auto-confiança para confiarmos em Deus.
Jesus Cristo é o exemplo perfeito de pobreza de espírito. Ele que, sendo rico, se fez pobre para enriquecer a muitos, dependeu totalmente do Pai aqui na terra, foi obediente em toda a sua vida, até a morte na cruz. Sigamos seu exemplo; não somente isso, creiamos que tudo que ele fez foi para nos salvar.

 

 

 

Por Thiago da Silva Vieira 

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