SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

São Brás, Bispo e mártir

13/02/2021 - Dom Orani

Celebramos neste dia 3 de fevereiro o dia de São Brás, que é exemplo de vida de cristão e invocado como protetor de todos os males da garganta e da voz. Embora seja uma memória facultativa, a nossa tradição soleniza esse dia com a bênção das gargantas. Normalmente no dia de São Brás, ao final da celebração Eucarística, os fiéis recebem a bênção da garganta. Com duas velas em formato da letra “V”, o sacerdote ou diácono aproxima a vela da garganta da pessoa e profere a seguinte oração: “Por intercessão de São Brás, te livre Deus de todos os males da Garganta”. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Segundo uma tradição de alguns lugares, essas velas são abençoadas no dia anterior, na festa da Apresentação do Senhor, ela é guardada e, no dia seguinte, o padre usa essas velas para abençoar a garganta dos fiéis. Pode ser abençoada também no mesmo dia com uma bênção especial. Neste ano, devido à pandemia, em nossa Arquidiocese existem três possibilidade de dar essa bênção das gargantas evitando o contato da cera (vela) com as gargantas dos fiéis.
A nossa voz deve ser usada, sobretudo, para falar das coisas do Senhor, para proferir palavras que edifiquem os outros, e não palavras que firam quem as escute. Por isso a nossa voz deve ser protegida de todo o mal e por isso recebemos a bênção de São Brás.
A nossa garganta é por onde passam os alimentos que consumimos, por onde passa a Eucaristia quando comungamos. Com a garganta boa, conseguimos respirar melhor e falar melhor, por isso recebemos a bênção de São Brás. Nós usamos a voz para nos comunicar e para isso a nossa garganta deve estar boa, sobretudo para comunicar a Palavra de Deus.
Esforcemo-nos para participar da Eucaristia nesse dia de São Brás, pedindo a bênção e a proteção dele contra todo o mal da garganta. Que por intercessão de São Brás possamos usar a nossa voz para comunicar boas notícias, sobretudo aquela que nos vem da Palavra de Deus.
Que São Brás abençoe todos aqueles que necessitam da voz para a sua missão, para o seu trabalho do dia a dia, como, por exemplo: os missionários, religiosos, padres e diáconos que anunciam com amor a palavra de Deus. Os radialistas e comunicadores que precisam da voz para entreter as pessoas. Os professores que precisam da voz para educar e os músicos que precisam da voz para cantar.
Peçamos a São Brás que a sua bênção e proteção chegue a todas as pessoas, sobretudo aquelas que ainda não o conhecem, ou não acreditam em sua poderosa intercessão. Se você ainda não participou de uma missa de São Brás ou conhece alguém que nunca foi, esse é o momento de você ir ou convidar essa pessoa que nunca foi para irem juntas e receberem a bênção de São Brás.
Este ano, se não for possível ir pessoalmente à Eucaristia devido à pandemia da Covid-19, sobretudo as pessoas que são do grupo de risco, podemos participar pela internet, TV ou rádio e receber com fé a bênção de São Brás para a nossa garganta. Nos dias de hoje existem meios para recebermos a bênção de Deus, ela chega até a nossa casa, basta acreditarmos e termos fé, se caso não for possível ir até a Igreja, recebamos a bênção de São Brás em casa.
Que possamos, além de pedir a bênção de São Brás, fazer a nossa parte cuidando da nossa garganta e da nossa voz diariamente. Tomando o devido cuidado com o que falamos e protegendo a nossa garganta, evitando tomar gelado, pegar vento frio e tendo o devido cuidado com o que comemos.
São Brás nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III, São Brás primeiramente foi médico, mas entrou numa crise, não em relação à sua profissão, pois era bom médico e prestava um excelente serviço à sociedade. Ele entrou numa crise vocacional, pois nenhuma profissão, por melhor que seja, ocupa o lugar que é de Deus.
São Brás, por se abrir à graça de Deus, foi evangelizado, foi batizado e sua vida deu uma grande guinada. Tal mudança não foi somente no âmbito da religião, mas também no profissional, e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.
São Brás, em um certo momento da sua vida, sentiu a necessidade que precisava se retirar. O retiro de São Brás foi ir até o monte Argeu e, por meio da penitência e oração, buscava entender o plano de Deus para a sua vida. Ele se tornou religioso eremita e, depois de alguns anos, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama de São Brás, foi buscá-lo para ser pastor. Aceitou ser ordenado padre e depois bispo, pela vontade de Deus.
Como bispo ele evangelizava através de seu testemunho de vida e sempre estava junto ao povo e cuidava dos fiéis. Era, de fato, o bom pastor. São Brás viveu num tempo muito difícil, século III, em que a Igreja era duramente perseguida. Certa vez, o prefeito de Sebaste querendo agradar o Imperador e sabendo da fama de santidade de São Brás, mandou soldados a casa do bispo.
São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para abandonar a sua fé, mas ele permaneceu firme em que acreditava e em nenhum momento optou por abandonar a fé. Por esse motivo ele decide renunciar à própria vida e, em 316, foi degolado. Conta-se a história que ao dirigir-se ao martírio, uma mãe lhe apresenta uma criança de colo que estava engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e a criança foi curada.
Eis a via de santidade desse grande Santo da Igreja, que por seu exemplo de vida e por sua intercessão, sejamos sempre livres de todos os males da garganta. E possamos estar sempre prontos para anunciar com amor, fé e coragem a Palavra que nos salva.
São Brás, rogai por nós!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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