SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

São Paulo, o apóstolo dos gentios

26/02/2021 - Isabel Scoqui

Na velha Jerusalém, numa manhã clara do ano 35, vamos encontrar um moço israelita de singular beleza e austeridade. O jovem Saulo representava toda a vivacidade de um homem solteiro, que contava cerca de 30 anos de idade. Possuidor de temperamento apaixonado e indomável, trazia no coração a Lei de Moisés.
Trajando a túnica do Patriciado, falava de preferência o grego, a que se afeiçoara na cidade natal, no convívio com mestres amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e Alexandria. Defensor ardoroso da Lei Mosaica, desejava submeter Roma e Atenas aos seus princípios. Foi nessa época que Saulo de Tarso iniciou a perseguição acirrada aos seguidores do Carpinteiro de Nazaré.
Cego pelo orgulho de raça e julgando-se protetor da integridade do judaísmo dominante, não aceitava as ideias de fraternidade e humildade ensinadas pelo Cristo e disseminadas pelos discípulos galileus. Adentrou no pavilhão singelo, nas cercanias de Jerusalém, onde pôde ouvir as pregações do jovem cristão chamado Estêvão, a falar aos pobres e miseráveis, que o ouviam atentos e esperançosos. Entendendo constituir-se uma afronta aos ensinos de Moisés, envidou esforços para punir todos quantos se dissessem seguidores de Jesus, pelo Sinédrio, pouco tempo antes.
Alguns dias depois, tombava Estêvão, o primeiro mártir do Cristianismo, a golpes de pedradas e zombarias, diante do tribunal implacável dos donos do poder temporário, do qual o jovem Saulo fazia parte.
O Doutor da Lei, pregador eloquente e convicto, não demorou a convencer o Sinédrio da necessidade de eliminar os Homens do Caminho, como eram chamados, inicialmente, os seguidores do Cristo. Iniciou-se, então, a perseguição aos cristãos, na tentativa de apagar para sempre as ideias do Sublime Galileu. Investido dos poderes necessários, Saulo rumou para Damasco, onde, segundo informações, estaria Ananias, o velho pregador do Cristianismo. Seguido por pequena caravana, o Doutor da Lei se deslocou de Jerusalém para a extensa planície da Síria.
Saulo seguia pensativo, meditava sobre a serenidade do jovem Estêvão, entregando-se ao martírio por amor ao Sublime Crucificado. Em dado instante, todavia, quando mal despertara das angustiosas cogitações, sentiu-se envolvido por luzes diferentes da tonalidade solar. Diante de tal situação foi tragado por inevitável vertigem e tombou do animal sobre a areia ardente. Uma luz, mais intensa que a luz do Sol, lhe banhou os olhos deslumbrados. Viu, então, surgir a figura de um Homem de majestosa beleza, dando-lhe a impressão de que descia do céu ao seu encontro. Os olhos compassivos, imanados de simpatia e amor, iluminavam a fisionomia grave e terna, onde pairava uma Divina tristeza.
O Doutor de Tarso contemplava-O com profundo espanto, quando, numa inflexão de voz inesquecível, o desconhecido falou: Saulo! Saulo!... Por que Me persegues?
O moço de Tarso postou-se instintivamente de joelhos diante daquele vulto divino e interrogou em voz trêmula: Quem sois vós, Senhor?
Aureolado de uma luz balsâmica e num tom de inconfundível doçura, o Senhor respondeu: Eu sou Jesus!
Daquele dia em diante, o jovem, deixando-se penetrar pelo profundo amor de Jesus Cristo, passou de perseguidor a defensor ardoroso do Evangelho. Lutou e amou. Humilhando-se, suportou o desprezo dos antigos amigos. Foi preso e apedrejado. Sofreu no rosto a saliva odienta dos orgulhosos e iludidos dos caminhos do mundo. . .
Mudou seu nome de Saulo para Paulo de Tarso e foi o pioneiro nas viagens de pregação do Evangelho, nos primeiros tempos do Cristianismo. Conhecido como o Apóstolo dos Gentios, deixou, em suas várias epístolas, um legado de amor e fidelidade ao Cristo Redentor.
Paulo de Tarso contemplou o Cristo ressuscitado, em sua grandeza imperecível; que possamos também nos transformar ao encontrarmos com o Divino Mestre. Ouçamos em nosso interior a sua voz, pois Ele nos ensina e nos consola através dos canais de inspiração. Quanto mais o aprendiz lhe alcança a esfera de influenciação, mais habilitado estará para constituir-se em seu instrumento fiel e justo.

Redação do Momento Espírita, com base no Livro Paulo e Estêvão e trecho do livro Caminho, Verdade e Vida, ambos pelo Espírito de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier.

Por Isabel Scoqui
isabelscoqui@yahoo.com.br 



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