SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Transtornos do estresse pós-traumático (TEPT)

06/03/2021 - Alessandra Pimenta

O TEPT é definido como uma “psicopatologia que se desenvolve como resposta a um estressor traumático, real ou imaginário, de significado emocional suficiente para desencadear uma cascata de eventos psicológicos e neurobiológicos relacionados” (Caminha; Knapp, 2003, p. 31). Em outras palavras, ao presenciarmos ou vivenciarmos alguma experiência traumática, podemos ter como consequência o TEPT, gerando reações disfuncionais intensas e desagradáveis após o evento.
Para que ocorra o desenvolvimento do transtorno, há necessidade da presença de um trauma, e essa é uma das importantes características que o difere dos demais transtornos: a presença da experiência traumática, como por exemplo: um assalto, violência, agressão física, acidentes, abusos sexuais, catástrofes naturais, qualquer ameaça à vida ou ato violento. Os eventos mais propensos a causar TEPT são os que invocam sentimentos de medo, desamparo ou horror. No entanto, pode ser causado por qualquer experiência avassaladora e possivelmente fatal.
É importante ressaltar que pessoas podem testemunhar (forma indireta) ou vivenciar( forma direta) um mesmo evento traumático, e algumas delas podem apresentar TEPT, e outras delas não apresentarem nenhum sintoma. A experiência negativa vivida é muito particular e afetas os indivíduos de formas diferentes.
É possível que a pessoa afetada reviva o ocorrido, tenha pesadelos frequentes e evite qualquer coisa que possa lembrá-la do evento.
Prevalência:
O transtorno afeta aproximadamente 9% das pessoas em algum momento de suas vidas, incluindo a infância Aproximadamente 4% dos adultos sofrem anualmente deste transtorno.
O TEPT perdura por mais de um mês, podendo não desaparecer completamente, mas no geral fica menos intenso com o passar do tempo. Algumas pessoas, entretanto, ficam gravemente incapacitadas pelo transtorno.
Sintomas:
Podem ser classificados em:
1 – Sintomas de intrusão: quando o evento invade os pensamentos das pessoas de forma incontrolável e repetida. Pode ocorrer em forma de flashabacks ou pesadelos nos quais a pessoa os revive e não simplesmente os relembra.
2 - Sintomas de esquiva: A pessoa evita todas as atividades, pessoas ou situações que possam lembrá-la do evento traumático. Também evitam conversas a respeito do evento.
3 - Efeitos negativos sobre o pensamento e o humor: Anésia adaptativa, quadro no qual a pessoa não consegue se lembrar de algumas partes importantes do evento. A impressão do evento fica distorcida. A pessoa pode parecer desligada ou entorpecida. A depressão e sentimentos de culpa também são comuns
4 - Alterações no estado de alerta e nas reações: A pessoa pode ter dificuldade em adormecer ou se concentrar, podendo tornar-se excessivamente vigilante e se assustando facilmente. Também pode ocorrer diminuição da capacidade de controlar as reações, resultando em ataques de raiva, ou comportamentos imprudentes.
Outros sintomas podem ser o desenvolvimento de rituais que aliviem a ansiedade, como no caso de vítimas de violência sexual que toma muitos banhos para tentar remover a sensação de estar suja. O uso de álcool ou entorpecentes para tentar aliviar os sintomas também pode ocorrer e pode resultar em transtorno por uso de substâncias.
Diagnóstico:
Avaliação é realizada com base em critérios específicos, onde será observado se a pessoa foi exposta a um evento traumático, se os sintomas ocorrem por mais de um mês, se os sintomas prejudicam significativamente suas atividades, entre outros que serão avaliados por um médico psiquiatra ou um psicólogo.
Tratamento
O tratamento pode ser realizado com psicoterapia associada à farmacologia. Sendo a psicoterapia o foco principal do tratamento.
A psicoterapia utiliza-se de técnicas de controle do estresse, como respiração e relaxamento e exercícios que reduzem e controlam a ansiedade, e podem aliviar os sintomas, além de preparar a pessoa para o tratamento com a terapia de exposição e dessensibilização.

 

Alessandra Pimenta de Souza é psicóloga Clínica, inscrita no CRP 06/137648 e atua com foco na terapia comportamental. Contato: (19) 99291-9886 – Instagran: @alessandrapiment.psi


Mais artigos de Alessandra Pimenta

Mais notícias

Mais notícias…

Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais