SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Você sabe o que é TOD?

13/03/2021 - Alessandra Pimenta

O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é considerado um dos transtornos mais comuns na infância. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5), o TOD é uma condição que afeta diretamente o aspecto comportamental onde a criança ou o adolescente apresenta um quadro de irritabilidade, padrões persistentes de comportamentos negativistas, desobedientes e desafiadores, perturbações e conflitos com os outros, comportamentos antissociais, dificuldade em seguir regras, normas morais e autoridades, e dificuldades em socialização.


Os sinais do TOD normalmente surgem antes dos 8 anos de idade e é mais comum em meninos. Ainda não se conhece uma causa específica para o desenvolvimento do TOD, mas é provável que exista uma associação entre fatores genéticos e ambientais.


DIFERENCIANDO DESOBEDIÊNCIA E TOD
A distinção entre a desobediência e o TOD está na intensidade, uma vez que a primeira situação ocorre em determinados momentos, e a segunda em praticamente todos.
Vale ressaltar uma situação: quando a criança não respeita as ordens e insiste em continuar fazendo aquilo que pais ou professores pedem para não fazer, seja por simples teimosia ou pirraça, constitui-se uma desobediência. Isso é algo comum em crianças e adolescentes. Nada como uma conversa ou uma advertência mais séria (reiterando: nada de agressões físicas ou verbais) para que eles passem a refletir sobre suas atitudes. Todos podem ter, ao longo da infância, uma fase de desobediência e isso é algo que passa com o amadurecimento.
Entretanto, no transtorno opositivo desafiador essas atitudes inadequadas são constantes e excessivas quando comparadas com as outras crianças, e não adianta sentar, conversar e indicar qual a atitude certa. É preciso realizar intervenções adequadas para que essa questão seja trabalhada de modo efetivo.


CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
1. Ter um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiador por pelo menos 6 meses. Durante esse padrão,4 ou mais das seguintes características precisam estar presentes mais vezes do que em crianças de idade semelhante:
Perder a calma com frequência;
Discutir com adultos com frequência;
Desacatar ou se recusar a obedecer pedidos ou ordens de adultos muitas vezes;
Ter um comportamento que incomoda de propósito, várias vezes;
Frequentemente colocar a responsabilidade nos outros pelo seus atos;
Se irritar com facilidade em diversas ocasiões;
Ficar com raiva e ressentido;
Ser rancoroso ou vingativo.


2. Um dos comportamentos acima influencia de forma negativa e significativa nas relações com as pessoas, na escola ou no trabalho.


3. O comportamento acontece fora de um transtorno psicótico ou de humor.


4. Não tem diagnóstico de Transtorno de Conduta nem de Transtorno de Personalidade Antissocial (depois dos 18 anos).


Portanto, se a pessoa tiver os critérios 1, 2, 3 e 4 ela é diagnosticada com TOD.


É importante deixar claro que o transtorno opositor desafiador pode ser mais do que agir de um modo desafiador ou fazer uma birra, o que é comum nas crianças, uma vez que o comportamento opositivo temporário pode fazer parte do desenvolvimento normal da personalidade. Deste modo, é de extrema importância que pais, responsáveis e educadores sejam capazes de diferenciar o comportamento de oposição normal para o desenvolvimento da criança, conforme adquire autonomia, de um quadro de transtorno comportamental, em que predominam comportamentos de agressividade excessiva, crueldade para com as pessoas e animais, mentiras, birras, destruição de bens e desobediência constante. Em caso de dúvida é essencial procurar ajuda (médico psiquiatra e um psicólogo) para estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento.


TRATAMENTO
O tratamento para o transtorno opositor desafiador pode ser diversificado (dependendo da necessidade individual de casa caso), incluindo tratamento medicamentoso, que será ministrado por um médico psiquiatra, e sessões de psicoterapia realizadas por um psicólogo, nas quais é possível trabalhar não somente o desenvolvimento da criança e manejo de seus comportamentos e emoções, bem como promover mudanças comportamentais na família com medidas de manejo educacional através do treinamento dos pais, com o objetivo de interagirem mais eficazmente com a criança (dar bons exemplos, dialogar com a criança, ter paciência ao falar, explicar o motivo das ordens dadas, etc.) além da possibilidade de realizar terapia familiar para dar suporte e apoio também à família.

Alessandra Pimenta é psicóloga clínica, inscrita no CRP 06/137648 –
Contato (19) 99291-9886 – Instagram: @alessandrapimenta.psi
 

Alessandra Pimenta de Souza é psicóloga Clínica, inscrita no CRP 06/137648 e atua com foco na terapia comportamental. Contato: (19) 99291-9886 – Instagran: @alessandrapiment.psi


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