SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Abordagem policial

20/03/2021

Um problema inimaginável até meses atrás pode estar batendo, literalmente inclusive, na porta do empresariado paulista.


Até meses atrás exatamente a classe empreendedora do estado apoiava todas as ações da Polícia Militar. Parte dessa categoria, inclusive, pedia intervenção militar no país (sem entrarmos no mérito da questão, não é o escopo deste editorial).


Agora o governador do Estado, João Dória (PSDB), está usando a Polícia Militar para fechar estabelecimentos comerciais que, porventura, não respeitem as draconianas e absurdas regras de “lockdown” parcial e fechamento da economia.


Nossos empresários passarão, cada vez mais, a serem expostos a abordagens policiais. E isso é um cenário inaceitável em uma sociedade civil.


O secretário de Saúde do Governo de São Paulo, Jean Gorinchteyn, ao falar que “Precisamos multar as pessoas para elas entenderem que precisam ser punidas”, deu a senha para entender como este governo vê o próprio povo: como inimigo, como alguém que precisa de punição.


Posto isto, não podemos deixar de lembrar um evento recente em que em abordagem policial um casal de empresários acabou em uma situação de violência a que não deveriam estar expostos, nem os empresários, nem os policiais.


Então, aos empresários, cabe uma análise, uma avaliação: a Polícia Militar é uma corporação centenária, voltada para a proteção da sociedade e para o duro enfrentamento de uma criminalidade cada vez mais violenta.


Além disso, os policiais militares são autoridades constituídas pelo estado, para assegurar a ordem pública. E quando chegam a local de conflito, não têm como saber de pronto quem é bandido e quem não é.


E aqueles policiais militares que eventualmente batam à porta do seu estabelecimento determinando o fechamento ou mesmo conduzindo-o para a delegacia para lavratura de termo, aquele policial é um cidadão como você. Tem família, tem amigos. O que ele não tem, admita-se, é escolha. Se enviado para cumprir ordem do governador, que deu arcabouço de legalidade a esta ordem, restará ao policial simplesmente cumpri-la.


Então você, empresário, empreendedor, que vier a ser abordado pela Polícia Militar, não reaja. Não insulte os policiais, não os agrida nem os ofenda.
Sem dúvida há muita revolta em quem quer trabalhar e é tratado como bandido. Uma revolta moralmente justificável. Mas, lembre-se: aqueles policiais não têm responsabilidade sobre isso. A culpa não é deles. Estão apenas cumprindo ordens, levando para casa o pão de cada dia.


E quem impede você de fazer o mesmo é o governador do Estado, João Dória, do PSDB.


Como cidadãos civilizados, reagir e hostilizar a Polícia Militar não só é contraproducente como trará mais transtornos para vocês. Ano que vem, que já está aí, haverá eleições. Virá Dória, virá Alckimin pedir seus votos. Você, comerciante, empreendedor, empresário, terá o momento de exprimir toda indignação com o governo, se assim o quiser, nas urnas.


Mas não o faça diante de cidadãos que, como nós, estão também sujeitos aos males da pandemia, ao contágio, enquanto buscam garantir nossa segurança.
Trate os policiais militares com respeito, não reaja a abordagens e cumpra o que lhe for determinado. Garanta assim sua segurança e a segurança dos policiais que estiverem fazendo o seu trabalho. 

 

Editorial publicado anteriormente na edição impressa de DEMOCRATA de 13/3/2021 edição 1659, p. 3

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