SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Cadê o amor?

20/03/2021

Desde sonetos de Camões a músicas sertanejas, o amor (ou a falta dele) é cantado. As estórias mais lindas contadas são, exatamente, sobre o amor.


“É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente, É dor que desatina sem doer.”, disse Camões em poema, para completar: “é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor”.


São Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, falou sobre o amor.


Não havendo uma definição muito clara, partiu para explicar o que o amor é, a partir dos frutos do amor, do que faz aquele que ama.


“Não busca os próprios interesses”, disse o apóstolo de vocação tardia. Indica que, aquele que ama, busca os interesses do ente amado. E isso diz muito...
Falando do amor, dá um exemplo que faz pensar com profundidade: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”. Aquele que ama não se apega a bens materiais. Isso é muito, muito lindo.
Falando do amor, Sheakespeare diz: “Duvida da luz dos astros, De que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, Mas confia em meu amor.”


Kalil Gibran, o poeta libanês, disse: “E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.”
Uma das faces do amor é, exatamente, ser ferido.


Sofrer por amor é coisa que acontece.


Os filósofos distinguem três aspectos do amor: o amor Eros: erótico, sensual, sexual, entre homem e mulher, por exemplo. O amor Filéo, aquele fraterno, do amigo para com o amigo, que se tem por um irmão. E o amor chamado Ágape, aquele amor chamado perfeito, que só Deus (e as mães, dizem alguns) tem por seus filhos.
Em situações de conflito, diriam alguns, o amor não é a tônica principal. “Casa que falta o pão, todos falam, ninguém tem razão”, diz o adágio popular.


A carestia tem essa cor, essa força, de trazer animosidade e desentendimento.


E vivemos momentos difíceis, pandemia, doenças, mortes, distanciamento...


Mas o amor... ...amor é uma palavra muito forte. Não deve ser empregada de forma leviana. Não se pode jurar amor, por exemplo, à donzela com intuitos lascivos.
Nem se deveria jurar amor pelo povo, sem o sentir.


Nas últimas eleições Silvinho Torres veio com uma chapa chamada “Amor Por São José”. Trazia no alforje o médico Eliézer Gusmão, conhecido pelos trabalhos de anos à frente do Pronto Socorro público nas gestões tucanas ou nas que com eles compuseram-se politicamente.


Bem verdade que não convenceram a maioria desse amor, tanto que não venceram as eleições.


Mas tão logo perderam, sumiram. Eliézer abandonou o serviço público da saúde em meio a uma pandemia histórica, no momento em que ele mais foi necessário ao povo.


Silvinho Torres, que anunciou possuir contatos poderosos com todas as autoridades constituídas, e poderia trazer mais recursos para mais leitos de U.T.I., por exemplo, nesta hora mais negra que atravessa São José do Rio Pardo, sumiu. Daqui a dois anos teremos novas eleições. Será que até lá o amor por São José brota de novo? 

Editorial publicado anteriormente na edição impressa de DEMOCRATA de 13/3/2021 edição 1659, p. 3

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