SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Túmulo político de João Dória

20/03/2021

A pandemia matou muitos. Adoeceu mais.

Até aqui, verdade seja dita, nenhum dos países do mundo está sabendo lidar com a pandemia.

Nossa ciência ainda não descortinou todas as nuances das consequências da contaminação humana pelo patógeno.


Mas tem uma vítima que dificilmente escapará do óbito pela Covid-19: a carreira política de João Dória.

A vacina chinesa está começando a preocupar pela eficácia duvidosa. E, mesmo assim, a capacidade de vacinação do estado está longe de ser a ideal.

Os erros, constantes, na estratégia de enfrentamento à pandemia está levando à ira o empresariado paulista.

Dória fechou o Estado de São Paulo, quando não era necessário. Instalou caríssimos hospitais de campanha, quando não eram necessários.

Com o “lockdown” desnecessário do ano passado cortou entrada de recursos do estado e, com os hospitais de campanha, gastou o que não era necessário.

Mostrou, até agora, que tem um “timming” de marketing, esse sim, sempre de acerto notável.

Por mais que esse marketing estabeleça um mundo ideal, de sonhos, a realidade vem solapando o marketing, não deixando a falta de recursos e, em breve, de comida na mesa, ser desconsiderada pelos paulistas.

Não tem marketing que resolva isso.

Com a lotação de leitos em UTIs e enfermarias, o medo da morte e da desassistência diante da morte é um complicador que não tem marketing que resolva.

Sem dinheiro para as coisas básicas do cotidiano, sem poder trabalhar (com suas portas fechadas), o empresariado vê o estado não garantir-lhe a saúde e a assistência para o que sempre pagou impostos, pesados impostos, vale dizer. Este abandono, esta incapacidade é a mola motriz de uma revolta que está crescendo, exponencialmente, através dos aplicativos de mensagens e de mensagens em redes sociais.

Como na Primavera Árabe, o povo está se comunicando e se revoltando.

Sem trabalhar, parte dos empresários já tem de abandonar planos de saúde para a família, vendo todos desassistidos e, se precisarem do SUS, lotado.

Sem trabalhar, já deixam escolas particulares dos filhos, substituindo-as pelas escolas públicas. Afinal, não frequentar aulas em escola particular não é diferente de não frequentar aulas em escolas públicas!

Os comerciários, trabalhadores formais em geral, vendo as empresas nesta situação, já sabem o que lhes espera. O fantasma do desemprego volta a rondar o brasileiro, décadas depois.

Empurrados, todos, à informalidade e, mais do que isso, à clandestinidade, alguns conseguem sobreviver. Mas além do temor de serem pegos – pasmem - trabalhando e serem processados por isso, a clandestinidade tem um fator adverso notável para o estado: queda de recursos, diferente do que acontece com as empresas abertas e postos de trabalho formais.

Uma coisa derradeira ainda deve ser considerada: vivemos em uma democracia. Isso, diferente do que o secretário de Saúde do Estado disse, não é fundamento para o povo ser punido, mas para que os governantes governem de acordo com a vontade desse povo.

Quando a gestão do governante vai em direção diametralmente oposta à vontade popular, ele até se sustentaria se houvesse riqueza flutuante no mercado suficiente para garantir o padrão de vida.

Mas não há.

Dória tem causado o empobrecimento em cascata de todo o estado, com o fundamento de, assim fazendo, combater a pandemia. Observem: a pandemia só faz crescer, mesmo assim.

E mais: sem oferecer sequer a esperança de atenção em saúde, com leitos lotados e UTIs abarrotadas, todos sabem que, se precisarem, não conseguirão atendimento em suas cidades.

Sem recursos, sem esperanças e vendo seus familiares doentes sem atendimento, o que vai acontecer com nossa sociedade?

Quando tudo parece ruim o bastante, nossa estrutura judiciária vem em apoio ao governador do Estado, impedindo, por exemplo, prefeitos de, considerando as particularidades de suas cidades, estabelecerem planos alternativos de enfrentamento à pandemia.

A mesma estratégia é usada para todas as regiões e para todas as cidades. Alguém, em são juízo, consegue ver todas as regiões do estado e todas as cidades como iguais, para receber igual estratégia de enfrentamento em casos como o desta pandemia?

Possivelmente, não.

O Ministério Público, órgão que não integra nenhum dos três poderes da República, sendo como muitos veem, ele mesmo um poder à parte, o quarto poder, em tese deveria defender o interesse da sociedade, não do governo. E, neste momento, em que o governo manda fechar comércios, sem oferecer nenhuma contraprestação pecuniária, o Ministério Publico se alinha ao governo do Estado mostrando um viés político, subserviente até, ao governador.

Dória, em coletivas, disse sem pudor algum que já havia dado comando do Procurador do Estado, chefe do MP, para que atuasse assim.

A sociedade está sem leitos suficientes, por erro de estratégia do governo do Estado e do governo federal, admita-se, e os prefeitos, administradores locais, estão amarrados e castrados pela atuação do Ministério Público, que, alinhado ao governador, não se manifesta em defesa da sociedade.

Inconcebível que haja impedimento de trabalho, portanto da obtenção de recursos, enquanto o Estado sequer é capaz de fornecer o mínimo em atenção em saúde em meio a uma pandemia. Sem qualquer contraprestação.

A sociedade está de joelhos, amarrada e vigiada pelas instituições que deveriam defendê-la.

E, tudo indica, isso é só começo. 

Editorial publicado anteriormente na edição impressa de DEMOCRATA de 13/3/2021 edição 1659, p. 3

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