SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Custo Gérson

29/03/2021

Caro. E, com a Covid-19, mais caro!

Acostumamos a ter duas realidades em nossa linda nação. A das leis escritas, e do que se faz.

A coisa é tão esquizofrência que há leis e regulamentos que, se invocados, geram uma espécie de punição social para quem ousar ou invocar ou aplicar ou mesmo seguir.

Em que outro lugar do mundo há “leis que pegam” e “leis que não pegam”?

Em que outro lugar do mundo há autoridades que seguem algumas leis e as aplicam e não seguem nem aplicam outras?

Passamos séculos assim, desenvolvendo uma cultura jurídica torta, que privilegia uma “nobreza” republicana. Temos dito em nossos posicionamentos, o Poder Judiciário brasileiro é monárquico, não aderiu às regras republicanas.

Ainda temos autoridades que, se quesiontadas, ofendem-se! Mesmo sendo servidores públicos e que recebam seus salários com dinheiro público, pago com o suado imposto pago pelos contribuintes.

Até aqui, uns 500 anos, foi tudo mais ou menos bem.

Alguns, óbvio, não viram a parte do “mais ou menos bem”, Joaquim José da Silva Xavier que o diga. Mas no geral, entre tiradentes e Herzog, e além, as coisas seguiam.

Claudicantes, mancas, fazendo diferença entre ricos e pobres, entre brancos e negros, entre héteros e homossexuais. Mas seguiam.

Séculos de hábito em ser exigível que algumas leis não fossem aplicadas a alguns, embora fossem exigidas sobre outros (onde foi que vi isso esses tempos????) nos fizeram homens cordiais. O povo do jeitinho.

Pego com dinheiro na cueca? Vamos ver, calma. É amigo de um, parente de outro. E lá está o sujeito levando a vida normalmente.

Criamos a cultura do camarote. Há leis que a classe aristocrática faz questão de não obedecer. Isso faz parte do “direito consuetudinário” deles. Inclusive, o fato de ser exigível aos demais, e deles não, é parte do processo de serem quem são.

Aí está o problema. Os Chineses. Não por vontade, dizem eles, em que pese não serem acreditados por todos quando falam isso. Não por vontade, dizem eles. Mas de lá veio o Sars-Cov2. Vírus com nome complicado, sigla e número. A doença que ele causa, “coronavirus desease” recebeu o nome de CoviD-19. E lá vem uma doença com nome diferente de todas, todas as outras.
Caxumba é caxumba. Não tem 1, 2, 10. Catapora, bronquite, asma... ...agora tudo mudou.

Aí que a coisa toma cores mais rubras, e a situação se complica.

O enfrentamento à maldita doença acabou dependendo de leis, decretos, regulamentos.

Perdemos aí.

Nossa aristocracia não aceita que tem que seguir as mesmas regras da plebe.

Pode até acontecer que a policia prenda um ou outro empresário e o que promotores processem e até que juízes condenem alguns por não cumprir as regras da pandemia.

Pode até acontecer que a polícia não prenda um ou outro da aristocracia, ou que os promotores contemporizem e não processes, ou até processem para depois pedir a absolvição, que prontamente pode até ser decidida por um ou outro juiz. Pode ser.

A questão é que o SarsCov-2 e suas variantes, linhagem, mutações e cepas não compreendem isso. Não vão infectar só pobres, não senhores.

Mais igualitário que todos os poderes da república, e mais genioso que um furacão tropical, o SarsCov-2 sai infectando de velhos a crianças. Matando jovens e adultos.

Talvez por ser Chinês não compreende o significado de alguns sobrenomes pomposos, que estão sempre acima das leis e por vezes de quem as deveria exigir ou aplicar. E lá vai ele: infectar a todos.

A máscara é um sinal distintivo externo, visível. Imperioso que, sempre que possível, os aristocratas possam retirá-la para falar em público. Assim mostram que estão acima dos demais.

Mas a Covid-19 se espalha assim, sem máscaras. E vão os aristocratas sendo, hoje, a principal fonte de contaminação em nossas cidades.

Quem festeja e faz churrasco todo final de semana? Quem trabalha no comércio? Quem tem empresa na cidade, que tem que pagar funcinário, IPTU, ICMS, FINS, COFINS, IRPF, IRPJ, etc etc etc?

Quem viaja todo final de semana, buscando variantes para trazê-las para nossas cidades?

Quem faz questão de mostrar que faz tudo isso, desrespeitando sempre impunemente (isso não muda) a lei?

Não são os trabalhdores do comércio, das empresas quem mantém a riqueza circulando em nossas cidades.

E quem são os que dão festas, contratam os trabalhadores que tem que levar o pão pra suas famílias para serem garçons, músicos, faxineiras, babás de suas crianças nas festas que participam? Seriam os que trabalham no comércio? Nem de longe.

A história mostrará o quanto a “lei de Gérson” e nossa aristrocracia carcomida e tóxica à república, no afã de exigir e exibir seu hereditário direito em não cumprir algumas leis e não serem punidos ou processados por isso foi responsável pelas mortes que vivenciamos e vivenciaremos ainda.

 

Lei cara. Lei cara.  

 

*Publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, edição 1661 de 20/3/2021, pág. 3

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