SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

São José do Rio Pardo suspende aulas presenciais mas mostra estar preparado para eventual retorno.

26/02/2021

Dra. Ana Beatriz Feltran Maia concede entrevista ao DEMOCRATA e fala sua atuação neste começo de governo

Ela nos informou que cuidou de buscar conhecer o setor e tratá-lo sob quatro aspectos: administrativo, pedagógico, merenda e transporte.

A principal questão neste momento, sem dúvida, é a volta presencial às aulas. Questão polêmica e de duro enfrentamento. A Secretaria não deixou de falar sobre quaisquer dos assuntos que lhe foram questionados.

DEMOCRATA: As aulas, voltam de forma presencial ou não?
DRA. ANA BEATRIZ: Vamos falar sobre isso, mas vamos tecer algumas considerações antes.
Há previsão de volta às aulas por parte do Governo do Estado. Tanto nas fases vermelha como laranja. E, em princípio, essa determinação obriga o município.
Nós começamos o ano com a questão do Covid-19 relativamente equilibrada, do ponto de vista epidemiológico. Cuidamos de indicar membro da Secretaria de Educação para compor o comitê municipal de enfrentamento ao Covid-19, buscando uma maior integração.
Então, feitas estas considerações, passamos a nos preparar para a volta às aulas, na forma presencial dentro dos parâmetros do plano São Paulo.
Havia um plano de ação elaborado pela gestão anterior, que viu-se obsoleto diante das mudanças havidas entre sua elaboração e a realidade atual. Esse planejamento foi refinado, a partir das análises e pareceres de outros órgãos e instituições, com muito diálogo dentro dos nossos quadros, chegamos a um protocolo e um formato que confere a maior segurança possível de se ter para uma eventual volta presencial às aulas.
Houveram aqui três reuniões, encontros da Comissão Escolar. O primeiro deles foi com escolas privadas, definimos responsabilidades e limites de atuação. Decidiu-se que cabe ao município fiscalizar o trabalho das escolas privadas, como é fiscalizar empresas privadas em geral, via vigilância epidemiológica. As escolas privadas apresentaram, cada uma, um protocolo de conduta e enfrentamento ao Covid-19 ao Comitê Municipal de enfrentamento ao Covid-19. Esses protocolos foram aprovados pelo Comitê.
O segundo encontro foi com a rede municipal. Orientações gerais da Diretoria Regional de Educação, que tratou a respeito deste assunto, a volta às aulas na forma presencial.
Representantes do Conselho Municipal de Educação (CME) e das escolas municipais, Fórum Municipal de Educação (FME), professores, gestores, pais e funcionários do setor. Chegamos a um cronograma de possível retorno.
O terceiro encontro foi específico sobre Educação Infantil. Participaram representantes das Coordenadoras de creches, diretoras, Conselho Tutelar, CME e FME, pais, funcionários e equipe pedagógica da Secretaria.
Seguimos desta forma abrindo as creches e escolas em data de 3 de fevereiro, com acolhida das famílias, orientações gerais, para conhecerem as unidades escolares, a direção e professoras, e foram apresentados ao chamado regime híbrido, com ensino presencial e ensino à distância, simultâneos, assim como aos protocolos sanitários de retomada às aulas.
Visto que a presença dos alunos em sala de aula na fase vermelha e fase laranja do plano São Paulo não é obrigatória, ouvimos os pais. Em torno de 60% dos pais manifestaram-se de forma favorável ao retorno das aulas desta forma híbrida.
Segundo a fase São Paulo, a presença em sala de aula poderá ser de até 35% da lotação presencial de cada sala, em sistema de rodízio semanal. Assim alguns alunos iriam à escola em uma semana, outros em outra semana e assim sucessivamente, dentro deste percentual. Porém todos os alunos receberiam aulas, presenciais ou virtuais.
Em resumo: a Secretaria Municipal de Educação se preparou, se qualificou para a volta às aulas na modalidade presencial como preconizado pelo plano São Paulo. Estar preparada não quer dizer que as aulas voltarão. Em análise conjunto com o Secretário da Saúde, Dr. Paulo Eduardo Gonçalves Boldrin e o prefeito, Marcio Calegari Zanetti, considerando a situação atual da pandemia em São José do Rio Pardo, entendemos oportuno não retornar as aulas presenciais neste momento. Não quer dizer que posteriormente, com melhora da situação no enfrentamento à pandemia, a situação continue assim. Estamos a todo tempo avaliando, discutindo, ouvindo a todos a fim de tomar as decisões que tragam mais proteção aos profissionais da educação e especialmente para nossas crianças, sem deixar de fornecer conteúdo pedagógico para todas.

DEMOCRATA: como serão as aulas virtuais?
DRA. ANA BEATRIZ: Nós separamos uma equipe de professores que receberam capacitação para isto, e estão preparando material específico para o formato remoto. Esse material é de livre acesso à comunidade escolar, em site da internet.

DEMOCRATA: e os alunos que, por qualquer razão, não tenham fácil acesso a internet?
DRA. ANA BEATRIZ: As escolas fornecem, aos que não tem esse acesso facilitado, material escrito, que é entregue aos pais. Haverá um Blog na internet que servirá de repositório das aulas remotas. Há um grupo, a “Equipe Multimídia de Atividades Pedagógicas”, o EMAP, que recebeu capacitação tecnológica através de professor qualificado. O acesso a esse blog é facilitado, até por celular será facilmente acessado.

DEMOCRATA: E as creches?
DRA. ANA BEATRIZ: Hoje as creches de 0 a 3 anos fizeram adaptação com atendimento de até 2 horas por dia, e isto estava previsto para seguir até 12 de março no cronograma inicial.

DEMOCRATA: Todo esse preparo foi realizado e o protocolo já está fechado, já está decidido?
DRA. ANA BEATRIZ: Estamos preparados, mas estamos a todo tempo buscando rever e atualizar informações a fim de manter um protocolo de conduta o mais atualizado possível.

DEMOCRATA: e quanto à parte administrativa?
DRA. ANA BEATRIZ: Na parte administrativa estamos elaborando um plano de reforma de escolas, a fim de melhorar e adequar as instalações. Visitamos todas as escolas, com arquiteto da prefeitura. Agora estamos buscando recursos. Estamos trabalhando para equalizar isso. Mais uma coisa, estamos fornecendo Equipamento de Proteção Individual para os funcionários e professores das escolas como máscaras, face shield, álcool gel, etc.

DEMOCRATA: Com relação à merenda, o que a Dra. avaliou e decidiu?
DRA. ANA BEATRIZ: Retornamos o convênio com o Estado de São Paulo a fim de o município voltar a fornecer merenda para as escolas estaduais. Isso melhora a transferência de recursos federal e estadual. A conta é bem positiva.

DEMOCRATA: Merenda feita em uma escola e distribuída ou feita em cada escola?
DRA. ANA BEATRIZ: Merenda em cada escola. Cada escola tem uma dispensa e recebe fiscalização e orientação por parte de nossas nutricionistas. Queremos estreitar o relacionamento com o Conselho de Alimentação Escolar, aprimorar o conhecimento e melhorar as práticas referentes ao manejo, estocagem, manuseio de viveres.

DEMOCRATA: o número de nutricionistas e merendeiras é suficiente para retomada do convênio?
DRA. ANA BEATRIZ: estamos chamando mais nutricionistas, há processo seletivo em aberto. E pretendemos abrir processo seletivo para merendeiras. Estamos em análise para abrir chamamento para compra de hortifrúti de produtores locais, buscando ajudar também a fomentar a econômica familiar local.

DEMOCRATA: e o transporte?
DRA. ANA BEATRIZ: Sobre o transporte, posso afirmar que a secretaria vem cumprir a oferta de transporte escolar para aqueles que queira ir as escolas, havendo aulas presenciais. Estamos trabalhando muito para adequar esse transporte a situação que vivemos. Inclusive estamos estabelecendo protocolos de segurança para o transporte com uso de álcool gel, distanciamento dentro do veículo e aferição de temperatura com os monitores para servir às crianças. 

*Entrevista publicada originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, edição 1656 de 20/2/1656, Pág. 4

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