SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

O engenheiro Guilherme Antonio dos Santos, secretário de Planejamento, Obras e Serviços, respondendo pela Superintendência de Água e Esgoto de São José do Rio Pardo, fala ao DEMOCRATA sobre os principais desafios a serem enfrentados pela autarquia

26/02/2021

Criada já com equipamento obsoleto e subdimensionados, a SAERP viu a cidade crescer e aumentar a demanda por água tratada sem receber iguais investimentos. Por mais de década alguns equipamentos estão sem manutenção.

Na tarde de ontem, 19, a reportagem de DEMOCRATA esteve na sede da SAERP - Superintendência de Água e Esgoto de São José do Rio Pardo entrevistando o engenheiro Guilherme Antonio dos Santos, que ocupa o cargo de Secretário de Obras e Planejamento e responde, interinamente, pela autarquia.

DEMOCRATA: Quais os maiores problemas que o Sr. enfrentou ao assumir interinamente a SAERP?
GUILHERME: a falta de água há mais de 90 dias no Vale do Redentor, a turbidez da água na região central, uma dívida com a CPFL - Companhia Paulista de Força e Luz em torno de R$ 1.300.000, ausência de projetos técnicos e dados informatizados sobre o sistema e seu funcionamento. E ausência de planejamento que causa necessidade de um número de horas extras por parte de alguns setores. Acredito que estes forma os principais.

DEMOCRATA: Por que a insistente fala de água no Vale do Redentor e seu entorno?
GUILHERME: como eu disse, a SAERP foi-nos entregue sem qualquer projeto técnico ou dados informatizados. Não há medições nem na captação nem nas estações, de forma que se possa aferir com alguma precisão o volume de água, por exemplo, necessário para os bairros do Vale do Redentor.
Após alguma análise, percebemos que o consumo ali seria da ordem de 150 m3 e estava sendo bombeado 119m3. Trocamos algumas válvulas e motor e passamos a bombear 160m3, sanando inicialmente este déficit. Com isso a falta de água deve deixar de acontecer. Estamos suprindo essa falta de planejamento.

DEMOCRATA: e quanto à turbidez de água na região central? O pessoal reclama bastante que a água chegaria barrenta às torneiras...
GUILHERME: há 6 anos não eram lavados o decantador e os filtros da região central. A canaleta de decantação estava cheia de lodo, e já não cumpria mais sua função, permitindo que água suja passasse livremente. Foi necessário a limpeza dos decantadores e lavagem dos filtros. Com isso o problema da turbidez da água foi resolvido. Para se ter ideia, considere que o nível de turbidez aceitável para água tratada é de 1,0 uT (unidade de turbidez). Para se ter ideia, quando assumimos o nível de turbidez estava em 15 uT. Por conta disso, só em Janeiro a prefeitura foi autuada em R$ 13 mil reais. Com a limpeza, para se ter ideia, o nível de turbidez caiu abaixo de 1uT, as medições sempre indicam valores abaixo desse limite, permitido pela regulamentação brasileira.

DEMOCRATA: e a dívida com a CPFL?
GUILHERME: a partir de janeiro de 2021 pagamos dezembro de 2020. O restante está em negociação. Tão logo a gente consiga acertar esse parcelamento, precisaremos de autorização legislativa, ou seja, de uma lei autorizativa por parte da Câmara Municipal.

A SAERP fica entre uma gestão política e uma gestão técnica. A autarquia esteve por duas gestões consecutivas gerida por tucanos e a última gerida por um indicado pelo grupo tucano. Como você vê essa questão , a divisão entre gestão política e gestão técnica?
GUILHERME: falar de gestões anteriores, nesse sentido é complicado. O que posso falar é que a atual gestão é basicamente técnica. Veja que, inclusive, estamos adquirindo medidores que serão instalados na captação e em pontos estratégicos da rede de abastecimento de forma que possamos medir precisamente quanta água captamos, quanta transportamos e quanta é utilizada a partir de cada estação. Isso nunca aconteceu antes, temos uma estimativa do volume de água captada, tratada, transportada e entregue, mas isso nunca foi medido. Agora será.


DEMOCRATA: Já tem algum dado técnico indicativo de melhora no sistema?
GUILHERME: alguns. Vale lembrar que ainda é cedo para este tipo de análise, estamos há menos de dois meses na administração. Mas nesse período, por exemplo, conseguimos com troca de alguns materiais e equipamentos economizar 1000Kw, o que representa uma economia de R$ 15 mil reais por mês na conta de força. Veja que só a economia pagou o equipamento que garante mais água com mais qualidade, por exemplo, no Vale do Redentor. Outro exemplo: mandamos concertar uma mini retro escavadeira da SAERP. o custo com o reparo foi de R$ 40 mil reais. O meu predecessor vinha pagando para iniciativa privada aluguel de uma máquina semelhante com um custo mensal em torno de R$ 43 mil reais. Novamente, temos economia para apresentar. Essa economia permite compra de equipamento e melhoria em algumas partes do sistema, troca de válvulas, motores, etc. A limpeza dos filtros permite não só melhorar a qualidade da água entregue na região central como a estação passou a tratar mais água, o que também contribui para evitar interrupção de abastecimento para a região Central, parte do Domingos de Syllos e parte da Vila Brasil.

DEMOCRATA: alguns leitores do jornal sempre mandam mensagens falando que a cidade deveria entregar essa questão para a SABESP. Qual sua opinião a respeito?
GUILHERME: eu entendo que a SAERP ainda acaba sendo uma opção melhor. A SAERP é autosuficiente, bem administrada dará conta do recado. E a SAERP tem uma função social, gera emprego aqui na cidade. A SABESP é mais moderna, usa equipamentos informatizados e não mão de obra local, gerando desemprego por certo aspecto. A SAERP dá conta do recado.

DEMOCRATA: fala-se em muita dívida com água, e a SAERP tem um valor alto para receber. Já pensaram em um programa de recuperação que permite abatimento de juros, algo assim, e parcelamento permitindo aos devedores aderir e ficar em dia com a autarquia?
GUILHERME: já passamos isso para o jurídico está sendo montando. A ideia é soltar um em conjunto, ne? a Prefeitura, a SAERP, etc. Mas isso vai acontecer, está apenas aguardando parecer jurídico. Depois precisará de aprovação legislativa, novamente a palavra final será dos vereadores, mas não vejo problemas nisso.

DEMOCRATA: qual o valor da dívida ativa da SAERP hoje, você sabe?
GUILHERME: está em torno de R$ 10 milhões. Recuperando esse valor, ou pelo menos parte substancial, conseguiríamos fazer investimentos e manutenção que melhoraria significativamente todo o sistema.

DEMOCRATA: se houver essa recuperação, qual uma das primeiras coisas que você pretende fazer?
GUILHERME: resolver o problema de mau cheiro da ETE Nova São José! Aquela estação foi feita para bater, para se ter ideia, mais ou menos, 6 horas por tanque. Por causa da demanda, isso acontece em 1,5h. Isso aumenta significativamente o mau cheiro. Pessoalmente, havendo recursos, o fechamento daquela estação e o bombeamento para estação de tratamento global seria o melhor caminho. Ali seria uma estação elevatória, somente. Fechada. O problema do mau cheiro seria resolvido. Penso muito nas pessoas que moram por ali, realmente é algo que deve ser priorizado para ser resolvido. Só que a solução custa, e hoje não há recursos para isso.


 Entrevista publicada originalmente na versão impressa de DEMOCRATA em 20/2/2021, edição 1656, p. 8

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