SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

De ricos ou para ricos?

06/03/2021

Mococa está vivendo um divisor de águas.
Convém a toda cidade encontrar sua vocação. Vocação industrial, comercial, produtiva, cultural...
Toda cidade quer ser uma cidade de ricos. Quer ter seus cidadãos bem de vida, prósperos em seus diversos setores.
Uma coisa é uma cidade de ricos. Outra coisa é uma cidade para ricos.
O cuidado com os menos favorecidos é fundamento subjetivo de uma sociedade civil, civilizada.
Quando pagamos impostos, estes impostos devem ser usados, por exemplo, para ajudar a pagar a educação de um jovem da periferia. Mesmo que quem pague o imposto tenha filhos em escola particular ou até nem os tenha.
Dar a todos uma condição digna de vida é algo que nem sempre é considerado na formulação de políticas públicas.
Mulheres em situação de risco social, por exemplo. Uma política higienista pretenderá esterilizá-las, à força. E verá nisso justiça, uma forma de combater a proliferação da pobreza. Em que pese ser um comportamento bizarro, criminoso e próprio de mentes doentias.
Dar educação e condições dignas de trabalho e de vida a estas mulheres é mais difícil do que esterilizá-las, mas depende de políticas públicas e de investimentos. Mas é algo que constrói uma sociedade mais justa e igualitária.
Fazer a cidade ser uma cidade rica é o desafio de qualquer gestor. E isso implica em decisões, em atitudes, em um mover da estrutura pública.
Contudo, em Mococa, vemos este mover de uma forma economicamente patológica.
Ao mesmo tempo que abandona um projeto de um centro de hemodiálise, investe-se em aeródromo. Os ricos, que usam helicópteros e turbo hélices, foram favorecidos. Os pobres, doentes, deixados para trás.
O investimento no aeródromo não implica em renda direta para o município. E a ausência de um centro de hemodiálise implica em gastos com transporte de pacientes renais crônicos mocoquenses para outras cidades onde receberão o tratamento, muitas vezes, voltando tarde para casa. Sofrendo. A terceirização do transporte da saúde acaba favorecendo empresários, geradores de renda para si mesmos, que ganharão com o serviço. Mas a cidade segue sendo uma cidade para ricos.
A presidente da Câmara, Elisângela Maziero, sobrinha da ex-prefeita Maria Edna Maziero (voluntária na Prefeitura Municipal de Mococa), anunciou esta semana que a UniFunvic está preparando cursos de Odontologia e Farmácia.
A que classe econômica estes cursos atenderão?
Quem pode pagar a mensalidade de um curso de odontologia, por exemplo? E, se alguém precisar de bolsas de estudo, quem arcará será a prefeitura municipal.
Um verdadeiro Robin Hood às avessas, tirando verbas do orçamento público, que poderiam atender a demandas das classes menos favorecidas, para pagar a uma entidade que destina cursos para filhos da elite.
Ao invés de trazer cursos profissionalizantes que atendam diretamente a massa de jovens e adultos desempregados que precisam de uma posição de trabalho que demanda qualificação profissional, o investimento é destinado a formar os filhos da elite. E isso usando estrutura pública municipal.O grupo político no poder em Mococa parece estar fazendo uma gestão para ricos, não para tornar a cidade melhor para todos, ou mais justa, ou para gerar oportunidades para os menos favorecidos. 

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