SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

E se fizermos de outra forma?

06/03/2021

Desde o início da pandemia estamos aprendendo a lidar com o SarsCov-2 e com a doença por ele causada, a Covid-19.

Já havia relatos, embora a prática estivesse perdida, de quarentenas antigas. Desde o enfrentamento à peste e até à febre amarela. Relatos dos mais antigos, contando – por exemplo – que em São José do Rio Pardo a carroça passava recolhendo mortos e moribundos vítimas da febre amarela e os enterrava em cova comum. Relatos de como famílias escondiam, por vezes, os doentes das autoridades sanitárias são contados pelos mais velhos.

Nossa geração não tinha, como sugerido por pessoas como Bill Gates, planos de contingência para enfrentamento de pandemias. Mesmo com alguns anunciando a iminência de um evento pandêmico.

Como qualquer adulto sabe, a vida não para para nos recompormos após tragédias pessoais. E não há um só que chegue à idade madura sem as atravessar. Perda de entes muito queridos, separações, doenças, tragédias, endividamento, falência, acidentes... ...a lista pode ser bem extensa.

E quando qualquer destas cai sobre nós, a vida não dá um fôlego para nos recompormos. A locomotiva deve ser consertada em movimento. Ou jamais o será.

Por um lado, fica a lição de que precisamos enfrentar a pandemia buscando interromper, o mínimo possível, o fluxo de nossas vidas.

Se por um lado tem o direito à vida, biológica, ainda há a questão da vida social, econômica, financeira. Vida, também.

Problema, até aqui sem solução prática alcançada, é encontrar uma solução cômoda (ou a menos incômoda).

Quando nos dispomos à severa defesa do direito à vida biológica, tendemos a seguir os passos de nossos antepassados, que enfrentavam pandemias e epidemias com quarentenas que hoje chamamos de Lockdown. Neologismos à parte, as consequências em tempos feudais da paralisação das atividades eram bem, bem menores do que hoje, em pleno regime capitalista, com internet e redes sociais.

Bem no começo da pandemia João Dória, governador do Estado de São Paulo, pretendeu enfrentá-la desde o nascedouro com quarentena (ou lockdown, questão semântica de menor importância). Contratou bem pagos hospitais de campanha. Equipou-os.

Dória, agora é óbvio, errou feio. O volume de dinheiro gasto com hospitais de campanha enriqueceu alguns bolsos, empobreceu o estado, que viu reduzir suas receitas pela interrupção das atividades comerciais e industriais, o que gerou queda, drástica, de receita. Não fosse o auxílio emergencial determinado pelo presidente Jair Bolsonaro, os moradores do Estado de São Paulo enfrentariam uma das mais severas crises econômicas.

Agora, com a chegada da “segunda onda”, não temos hospitais de campanha (agora que seriam necessários, vale dizer) e o aumento exponencial do número de casos faz lotar os equipamentos públicos de saúde. U.T.Is e enfermarias lotadas e o fantasma da falta de oxigênio para atendimento dos doentes faz todo o País rever seus protocolos.

Dória, que começou impondo medidas duras quando não eram necessárias, se vê agora envolto pelo pleno crescimento exponencial de número de casos de contágio e de óbitos por Covid-19.

Dória pretende, isso fica claro, deixar para os prefeitos o ônus político de medidas amargas, tidas por alguns como necessárias para o enfrentamento à pandemia.

Cada cidade, analisando seus próprios casos, vai impondo medidas mais restritivas que as do Plano São Paulo.

Voltando ao raciocínio inicial, a vida não para para nos recompormos de tragédias pessoais. E não o fará para que, todos, possamos nos organizar para o enfrentamento de uma tragédia coletiva!

Vivemos tempos muito diferentes dos tempos antigos, em que epidemiais e pandemias campearam pelo mundo.

Necessário encontrar uma forma atual, que permita o enfrentamento mas que também permita a continuidade de certos aspectos das nossas vidas, especialmente os pertinentes à continuidade de fatores econômicos e vinculados ao consumo e ao sustento.

O Estado começou o enfrentamento à pandemia penalizando o comércio, os empreendedores, os que são a mola motriz de nosso sistema econômico.

Isso, agora é óbvio, não foi eficaz. Persistir com uma medida que já se mostrou ineficaz em outras circunstâncias seria, no mínimo, tolice.

Necessário que pensemos novas formas e fórmulas. A vacinação, que ainda engatinha, vem com percentuais de 50% a 70% de eficácia. Para São José do Rio Pardo, por exemplo, que usou a CoronaVac/Butantan, metade dos vacinados não será imunizada.

Talvez a gênese para este enfrentamento não seja nem bioquímica, mas psicológica. Entender porque alguns insistem em ver-se como acima das simples regras sanitárias impostas e, assim, expõem a todos, é algo tão necessário hoje em dia quanto a vacina. Talvez, hoje em dia, mais necessário do que a vacina.

Encontrar formas para o enfrentamento à pandemia é algo que deve se dar tendo em mente a preservação do resto das nossas vidas, ou melhor, de outros aspectos de nossas vidas.

Preservar as atividades comerciais, produtivas, de transporte e educação é algo essencial.

A vida não vai parar para que todos se componham desta tragédia da Covid-19.

Precisamos aprender a enfrentá-la como enfrentamos tragédias pessoais: com a locomotiva andando. Sem interromper nossas vidas em seus aspectos econômicos, financeiros, produtivos.
Como, em pleno 2021, nossa raça inteira não consegue seguir regras óbvias e simples, como o uso da máscara facial, da higienização das mãos e do distanciamento social?

A vida segue. Vamos enfrentar a pandemia sem parar de viver. 

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