SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

Trabalho e dignidade

13/03/2021

Valores sociais como o trabalho e dignidade da pessoa humana são defendidos pela Constituição Federal como cláusula pétrea.
Em nossa sociedade, capitalista, o trabalho é a mola motora. Operários, comerciários, lavradores, profissionais liberais são a mola mestra que põe a economia a mover-se.


Não se enganem: sem empresas robustas, não há bolsas de valores.


Bem verdade que parte substancial do crescimento econômico depende do empresariado, dos empreendedores que arriscam capital e endividam-se para fazer acontecer projetos que tornam-se empresas de sucesso. Mas, sem a mão de obra, nada disso se verificaria.


Foi o trabalho, duro, não remunerado dos escravos, que construiu parte de nossa indústria sulcroalcooleira fazendo do açúcar, depois o café, principais molas motores do desenvolvimento nacional.


Foi o trabalho, duro, dos emigrantes italianos, japoneses e outros tantos que para o Brasil se dirigiram e, somando-se ao trabalho dos brasileiros, construiu a riqueza de um grande período de nossa história.


Desde a infância ouvimos de nossos pais que o “trabalho dignifica o homem”.


Nas celebrações e estudos religiosos, sendo o Cristianismo a religião mais praticada ainda no Brasil, vemos nas sagradas escrituras que o homem deve ganhar o pão de cada dia com o suor de seu rosto: o trabalho é um imperativo, uma ordem divina.
Em pleno 2021, o governador do estado mais rico e mais produtivo de todo o país baixa regulamentação proibindo os empresários de abrirem seus comércios, impedindo assim todos de trabalhar.


Sem qualquer contraprestação. Nada.


Como se empresários e seus funcionários, que em São José do Rio Pardo formam um contingente de perto de 10 mil pessoas, que com suas famílias tornam os que dependem diretamente do comércio varejista de rua para obter seu sustento quase 20 mil almas, pudessem ficar 14 dias sem comer.


Enquanto as classes “A” e “B” se remediam, tem “gordura” para queimar, uma massa de moradores das cidades da região dependem diretamente das atividades do próprio trabalho para auferir o sustento. Para levar o pão de cada dia para suas casas, para alimentar suas famílias.


Por certo que enfrentar a pandemia é necessário, nem se pense ou se diga que por qualquer momento dissemos aqui o contrário! Jamais!


Contudo, até aqui, não há nenhuma comprovação de que a atividade do comércio varejista de rua seja fator preponderante no contágio. O comércio de nossa região foi o que mais aderiu e seguiu as regras sanitárias.


Festas, aniversários de autoridades, iate em paraísos turísticos, viagens e mais viagens para praias, tudo relatado nas redes sociais sem qualquer pudor ou respeito pelos conterrâneos é algo que se tem visto em todas, todas as cidades.


Desde a aglomeração sem máscara da festa da vitória de Barison (em Mococa) até a campanha sem máscaras de Silvinho Torres e Eliézer em São José do Rio Pardo, tudo isso passou impune. Nenhuma autoridade foi autuada, punida.


O que não se pode admitir que a atividade laboral, o trabalho, seja criminalizado, seja punido. Isso é inadmissível.


O enfrentamento à pandemia não exige a absoluta paralisação das atividades negociais, que geram recursos essenciais, inclusive, para custear as ações do estado neste enfrentamento. 

Publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, edição 1658 de 6/3/2021, p. 3

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