SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34

A vida não vai parar

13/03/2021

Ninguém, a partir de certa altura da vida, está livre de uma tragédia pessoal.


Morte de um ente querido, acidente, doença, divórcio, adultério, falência... ...a lista é enorme e aqui vai só de forma exemplificativa.


E, como todos os que já tem certa idade percebem, a vida não para quando estas coisas acontecem.


Cada um deve se concertar, se recompor, com a vida seguindo seu curso.


E isso é muito duro, muito difícil. Quem passou por isso entende a profundidade do conceito.


Há calamidades que atingem a uma única pessoa. Outras há que atingem famílias. Outras, regiões (como os Tsunamis).


E, em nenhum caso, a vida para que os que estão sendo fustigados pelo látego do destino ou das consequencias de suas próprias escolhas, se recomponha.
Essa talvez seja uma parte substancial da diferença entre meninos e homens, a grosso modo.


E, como sempre, a vida não vai parar para superarmos esta tragédia.


O enfrentamento da tragédia exige mais trabalho do que o habitual.


Cada categoria deve, tanto quanto possível, buscar adequar-se ao “novo normal”.


Aulas e trabalho remotos já são uma realidade e vieram para ficar, em maior ou menor grau.


A pandemia ainda não foi compreendida sequer pelos técnicos e cientistas que a estudam. Novas informações vão chegando a todo tempo, e o próprio patógeno evolui, se modifica.


Nem bem desenvolve-se uma vacina no tempo mais curto da história registrada da humanidade e o patógeno já sofre alterações que podem tornar nossos esforços obsoletos.


A vida não para. Não vai parar.


Precisamos encontrar meios de lidar com essa tragédia e enfrentar a pandemia sem interromper o fluxo das nossas vidas de forma tão drástica e intensa como propõe o governo do estado de São Paulo.


Enfrentamos uma questão que tem potencial para alterar o ciclo de vida do ser humano na história da terra. Vivemos, ainda, pelo menos enquanto estas linhas eram escritas, em uma democracia.


Isso quer dizer que o povo tem o direito a escolher como se posicionar diante de questões de vida e morte como estas.


Parar o ciclo das relações sociais e negociais é algo que pode ser mais prejudicial, a médio prazo, do que a própria pandemia.


Em algum tempo a carência de recursos poderá nos empurrará, inexoravelmente, a formas menos civis e republicanas de sobreviver.


Os primeiros embates físicos entre as forças do estado e o empresariado prenuncia tragédia anunciada.


A vida não para. Não vai parar. Ela vai encontrar formas de seguir. E essas formas podem não ser republicanas e democráticas como esta geração tem vivido.
Um estado que parte para usar sua estrutura contra o próprio povo deixa uma preocupação latente em todos.


Dória critica a Venezuela, por seu regime esquerdista, da mesma forma que critica o presidente Bolsonaro, que segundo ele é “negacionista”.
A vida não para. não pode parar. Ela vai seguir.


A questão é que ainda podemos decidir como. Em breve essa decisão pode não estar mais em nossas mãos. 

Editorial publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, Edição 1658 de 6/3/2021, p.3

Mais notícias

Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais