SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Países e cientistas vão ficar quietos para não sofrerem repercussão

28/12/2021

Compartilhar



O brasileiro chefe da equipe que descobriu a variante ômicron, Tulio de Oliveira, disse em entrevista à GNews que as punições a países quando novas variantes são identificadas, como o fechamento de fronteiras, podem desestimular cientistas.

Oliveira foi escolhido como um dos 10 cientistas mais influentes de 2021 pela revista Nature. A seleção anual tem por objetivo destacar os indivíduos que mais contribuíram com a ciência.

Diretor do Centro para Respostas e Inovação em Epidemias (CERI) na África do Sul, ele ganhou destaque ao chefiar uma das equipes envolvidas na descoberta da nova variante do coronavírus no país e por compartilhar os dados com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 24 de novembro.

Para o pesquisador, um dos motivos de ter se destacado foi pela forma com que a descoberta foi comunicada aos políticos do país e pela rápida resposta.

Oliveira comenta que o suporte do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi fundamental após a ômicron ser identificada. A partir desse contato, ele pode falar diretamente com o ministro da Saúde do país, Joe Phaahla, e na televisão.

"Eu acho importante agir rápido e a transparência cientifica", disse. "Porque isso deixa preparar os hospitais e o mundo. A gente tem a variante super transmissível, a ômicron, mas os hospitais foram preparados. A gente não está tendo os hospitais completamente cheios, o oxigênio foi preparado, então a mortalidade está baixa", explica.

Por outro lado, há a reação dos países em relação a identificação da nova variante. Segundo o cientista, fechar fronteiras, na verdade, não funciona e, além disso, a repercussão negativa gera danos econômicos e psicológicos para a população do Estado em que a cepa foi identificada.

"Imagina agora qual outro país do mundo gostaria de identificar uma variante rapidamente e qual o outro cientista que gostaria de ter essa repercussão? Então é uma situação que se identifica um patógeno com problema global, países e cientistas vão ficar quietos para não sofrerem repercussão. Isso vai afetar a saúde mundial inteira", afirmou

Ômicron na África do Sul
Oliveira conta que, nos último 7 anos, sua equipe, composta por diversos brasileiros, tem trabalhado com vírus comuns no Brasil, como a dengue e a febre amarela, e usa as técnicas aprendidas no país na África do Sul em vírus como HIV e o da tuberculose. Por isso, durante a pandemia foi possível trabalhar com o coronavírus.

Ele lembra que a variante foi identificada em 36 horas, e, após informar o presidente, o ministro da Saúde e ir a público, em 24 horas houve a reunião com a OMS, que classificou a variante como preocupante.

Segundo Oliveira, foi a primeira vez que em horas houve a descoberta, validação e reação mundial. O processo, normalmente, exige um prazo de meses até a resposta, afirma. Com isso, foi possível manter uma baixa taxa de mortalidade.

Fuga de cérebros
Em relação ao Brasil, o cientista lamenta a chamada fuga de cérebros, quando pesquisadores decidem sair do país em busca de mais oportunidades.

"O Brasil tinha avançado muito na parte da ciência, 3 ou 4 anos atrás. Estava com muito financiamento, muito cientista brasileiro sendo respeitado", disse.

"Infelizmente, se o Brasil não levar a sério a ciência, o que acontece é a fuga de cérebros. Cada vez mais vamos encontrar brasileiros ao redor do mundo que são reconhecidos como cientistas importantes, mas que não têm a condição de fazer a ciência de ponta no Brasil", completou. 



Comentários


















Leia também:

Tapiratiba
Seguem aulas de cursos do SEBRAE de Administração e Corte e Costura

São Sebastião da Grama
Com apoio de Barros Munhoz, estrada de Grama a Caconde será recapeada

Casa Branca
DIPAM já pode ser entregue pelo produtor rural de Casa Branca

Caconde
Prefeitura dá prazo para limpeza de terrenos. Depois, cobrará pelo serviço

Mais notícias…




Jornal Democrata
São José do Rio Pardo e Região
Whats 19 3608-5040
Tel.: 19 3608-5040

Siga-nos nas Redes Sociais

contato@jornaldemocrata.com.br