SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Chegou a sua vez de sofrer

17/04/2021 - por Thiago da Silva Vieira

Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse: “Se alguém tentar falar, você terá paciência para ouvir? Mas quem poderá conter as palavras? Veja bem! Você ensinou a muitos e fortaleceu mãos cansadas. As suas palavras sustentaram os que tropeçavam, e você fortaleceu joelhos vacilantes. Mas agora, quando chega a sua vez, você perde a paciência; ao ser atingido, você fica apavorado. Você não tem confiança no seu temor a Deus? Não tem esperança na integridade dos seus caminhos?” Jó 4:1-5
Jó estava enfrentando um terrível sofrimento, havia perdido suas riquezas, seus dez filhos e sua saúde. Diante disso, alguns amigos foram visitá-lo, lamentaram com ele por sete dias em silêncio. Então, logo após suportar calado tanto sofrimento, Jó começou a falar. Ele lamentou pelo dia de seu nascimento, afirmou que era melhor não ter nascido do que estar sofrendo, de tal maneira que chegou ao ponto de pedir a morte como fonte de alívio.
Elifaz, um dos seus três amigos, resolveu respondê-lo. O seu discurso é uma exortação a Jó a fim de que mantivesse sua confiança em Deus. Começou gentilmente falando que Jó era um homem sábio que se compadecia e ajudava os necessitados. (V. 2- 4).
Jó era um homem crente que amava a Deus e ao seu próximo. Sendo um exemplo de prática da verdadeira religião e de uma fé viva. Ele falava palavras de conforto aos sofredores, mas também agia para o bem deles (Tiago 2:14-26).
Porém, os elogios de Elifaz eram a base para acusar Jó de hipocrisia, pois o mesmo não estava sendo capaz de aplicar a si mesmo aquilo que pregava aos outros. Ele estava trazendo isso à lembrança de Jó para conduzi-lo a agir conforme seus atos e palavras anteriores ao seu sofrimento, tendo por finalidade a perseverança de Jó em meio ao sofrimento.
Jó cuidou dos sofredores, os conduziu a confiar em Deus, no entanto, ao chegar o momento de ele sofrer, não conseguia suportar, e, consequentemente, perdeu a paciência falando palavras sem sabedoria. Certamente ele não estava conseguindo confiar em Deus em meio ao sofrimento. As ações presentes de Jó não condiziam com suas palavras passadas. Ele agiu contrário ao seu discurso, traiu suas próprias palavras. Segundo Elifaz, Jó, para o seu bem, deveria viver da maneira que ensinava aos outros.
Aplicação: Uma boa palavra traz cura para a alma abatida. Devolve o ânimo e o desejo de prosseguir em meio às dificuldades. Mas quantas palavras que aplicamos aos outros e não aplicamos a nós mesmos quando estamos sofrendo? Isso acontece porque somos fracos, dependentes de Deus. Não somos super humanos que sempre vivemos conforme pregamos. A nossa fraqueza é revelada não quando estamos, por meio de palavras, fortalecendo os fracos, conduzindo-os a confiar em Deus, mas quando estamos sofrendo e passando por situações semelhantes ao que essas pessoas passam. Nossa dependência de Deus é mais fortemente demonstrada não quando estamos vivendo tempos de prosperidade, mas na necessidade. Talvez Deus use seu sofrimento para te conduzir a reconhecer sua fraqueza e dependência d’Ele, assim Ele pode ser glorificado como seu maior Tesouro.
Falar é fácil, mas agir conforme é difícil. A boca fala, mas nem sempre condiz com o coração. O discurso sem prática não tem valor, não para aquele que ouve, mas para aquele que fala. Aquele que está ouvindo deve obedecer se o que é dito estiver de acordo com a Palavra de Deus, e assim será edificado. Aquele que fala deve lembrar-se que o que é aplicado aos outros também se aplica a ele. Qual ser humano tem a capacidade de agir de acordo com suas palavras? Ninguém. Por isso, necessitamos do poder de Deus mediante a fé em Jesus Cristo. É Ele quem nos fortalece. A lembrança sobre o passado de Jó deu-lhe recursos para enfrentar a presente crise. Assim deve ser conosco. Pela graça, devemos lembrar que o Deus que afirmamos está com as pessoas em meio ao sofrimento delas, é o mesmo Deus que está conosco em meio ao nosso sofrimento.


Por Thiago da Silva Vieira

Publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA de número 1662 de 10/4/2021, pág. 11
 

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