SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



A pandemia gera retrocesso na busca por igualdade de gênero

13/05/2021 - por Maria Betânia dos Santos Chaves

O ano de 2021 chegou diferente e, como escreveu o poeta, “de repente, não mais que de repente … do riso fez-se o pranto” (“Soneto da Separação”, Vinícius de Moraes). O segundo ano da pandemia de covid-19 irrompeu com um realismo cruel na vida da população mundial e, no Brasil, explodiu alarmando a população, principalmente a feminina.
É sabido que a igualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho ainda está longe de ser atingida. Apesar das grandes diferenças persistirem, é claro que não podemos negar os avanços e as conquistas das mulheres em todos os setores da sociedade. Se hoje eu escrevo para um jornal e assino meu nome no artigo é porque outra mulher lutou e conquistou isso por mim, por nós.
Após algumas pesquisas, digo que o choque econômico do segundo ano da pandemia da covid-19 está provocando um retrocesso de quatro anos em termos de conquistas das mulheres no mercado de trabalho, que perdem os postos de trabalho, são demitidas ou se veem obrigadas a cuidar por mais tempo dos entes enfermos.
As mulheres estão mais presentes nos empregos precários ou nos setores especialmente afetados pelas medidas de confinamento implantadas para lutar contra o coronavírus, como restaurantes, hotéis, organização de eventos, salões de beleza, entre outros.
Segundo um artigo publicado por um jornal do estado de Minas Gerais, no exterior, o fenômeno chamado “shecession” (recessão feminina, em português) evidencia o quadro de prejuízos. Segundo os pesquisadores, a recessão provocada pela pandemia atingiu mais fortemente os setores que empregam mais mulheres que homens. A pandemia escancarou a pobreza feminina, trouxe para o debate nacional o fardo das tarefas domésticas e a difícil conciliação das mulheres em ir para o mercado de trabalho e o cuidado com a família e a casa.
Outrossim, segundo o relatório do Fórum Econômico Social, a redução no ritmo da desigualdade indica que a paridade entre os sexos agora só deverá ser obtida em 135,6 anos, 36 anos a mais que a estimativa anterior, de antes da covid-19. O relatório de 2021 analisa quatro diretrizes: participação e oportunidades econômicas; avanços educacionais; saúde e sobrevivência; e empoderamento político. O estudo ainda apresenta um ranking de 156 países, no qual o Brasil ocupa a 93ª posição, uma a menos que no levantamento de 2020. O Brasil está à frente, na América Latina, apenas da Guatemala (122ª posição), e perde de grandes nações administradas por diferentes correntes ideológicas, como México (34ª posição), Argentina (35ª posição), Cuba (39ª posição), Colômbia (51ª posição), Bolívia (61ª posição), Chile (70ª posição), Uruguai (85ª posição) e Venezuela (91ª posição).
O Brasil fechou 69,5% dos aspetos de diferença geral de gênero, alcançando uma posição de 93º globalmente. Apenas 13,8% da lacuna de gênero no Empoderamento Político tem sido encerrada, classificando o Brasil em 108º lugar nesta edição, com uma queda de quatro posições desde o ano passado.
Infelizmente o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo para as mulheres. Por ser um país onde o sexismo e o machismo ainda perduram fortemente, não conseguimos avançar efetivamente na superação da discriminação e desigualdade de gênero onde somos minoria na política, nos cargos de liderança e nos conselhos das grandes empresas, e alvo de poucas políticas públicas. É necessário avançar muito para que a equidade de gênero se transforme em uma realidade. É preciso que o governo brasileiro priorize as mulheres nos processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas em geral e, em particular, das políticas de emprego, inclusão social e redução da pobreza.


Por Maria Betânia dos Santos Chaves
e-mail: betaniaschaves@hotmail.com 

 

Texto publicado originalmente na vesão impressa de DEMOCRATA número 1663 de 17/4/2021, p. 10

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.

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