SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Dar a volta por cima

13/05/2021 - por Isabel Scoqui

É impressionante como algumas pessoas sabem agir com inteligência e bom senso diante das situações adversas que a vida lhes apresenta.
Há algum tempo, um ator famoso sofreu um assalto e foi ferido gravemente, ficando em coma por muito tempo. Os dias se passaram, os meses se somaram e, apesar das limitações impostas ao corpo físico, continuou lutando com bravura. Gerson Brenner não se deixou vencer pela soma de acontecimentos amargos e começou a grande luta para dar a volta por cima e continuar vivendo, ainda que com graves limitações nos movimentos do corpo.
Um narrador de futebol, não menos famoso, sofreu um acidente de automóvel e ficou por longo tempo sem contato com o mundo exterior. Apesar das barreiras imensas que tentavam isolá-lo do mundo, Osmar Santos empreendeu uma batalha acirrada e, depois de longo período, conseguiu se comunicar com o mundo através da arte, pintando quadros. Ele conseguiu dar a volta por cima e reinventar sua vida.
Um dia, um acidente de ultraleve matou a esposa de um cantor popular e o jogou num leito de hospital com graves ferimentos na medula e no cérebro. Poucos acreditavam que ele sairia dessa. Mas Herbert Viana deu a volta por cima, demonstrando rara coragem e uma disposição inabalável. Surpreendendo médicos e enfermeiros, ele aparece cantando e dedilhando sua guitarra para alegrar a enfermaria repleta de pacientes que, como ele, enfrentam horas seguidas de fisioterapia.
Assim como essas pessoas famosas, há também muitos heróis anônimos que dão a volta por cima e vencem situações de extrema dificuldade.
E, ao contrário do que muita gente pensa, essas são atitudes de pessoas que sabem usar a razão e o bom senso. Percebem que não há como vencer senão aceitando o desafio que as Leis maiores lhes oferecem, com resignação e coragem. Esses são os verdadeiros vencedores, pois transformam uma situação aparentemente sem saída numa nova maneira de encarar a vida.
É como se admitissem a si mesmos: “Se Deus me ofereceu esta situação difícil é porque preciso aprender alguma lição com ela. E é isso que vou fazer.” Nesse caso, é a obediência consentida pela razão, e a resignação aceita pelo coração. Essa é a posição de um filho que confia no seu Pai e Dele sempre espera o melhor, ainda que esse melhor chegue com aparência de desgraça. Um filho que confia num Pai amoroso e justo e procura retirar de cada situação uma lição a mais, um aprendizado útil, mesmo que seja uma demonstração de coragem, de fé, de humildade, de confiança.
E você? Já pensou nas lições que Deus espera que aprenda com as situações que lhe apresenta? Se ainda não havia pensado, pense agora, ainda há tempo.
Considere que as provas sempre guardam relação com o tipo de aprendizagem que precisamos demonstrar e são proporcionais ao nosso grau de evolução. Assim, se é a nossa paciência que deve ser testada, teremos uma prova correspondente. Se é a humildade, uma prova em que possa ser demonstrada, e assim por diante.
Conforme nos recomendou o grande Apóstolo Paulo de Tarso, aprendamos a dar graças por tudo. A flor agradece, com o seu perfume, a terra escura que lhe permitiu nascer e florescer. A borboleta dá graças ao casulo desprovido de beleza que lhe permitiu efetuar a sensível metamorfose, bailando no ar e contribuindo com a polinização. Quando o enfermo recupera a saúde, bendiz a dor que lhe trouxe a lição do equilíbrio.
Por todas essas razões, aprendamos a agradecer a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina. Lembrando sempre que a alvorada é dádiva do céu que surge após a noite escura na Terra.
São muitos os que atravessamos a existência na Terra sem muitas preocupações com os próprios atos. Vivemos como se o nosso agir, a nossa postura perante a vida não fosse nossa exclusiva responsabilidade. Por esse motivo, despreocupados com qualquer tipo de consequência, vivemos com o único propósito de amealhar, tirar vantagens pessoais. Não falamos dos que se entregam, de forma explícita, a questões ilegais como o roubo, o furto ou tráfico. Dizemos de nós, os que na intimidade de grandes corporações, no luxo de escritórios bem montados, atuamos no desvio de dinheiro público, na montagem de balanços forjados, na estruturação de contratos fraudulentos. Tudo porque imaginamos a vida como um grande jogo onde aquele que consegue mais para si é o grande vencedor.
Outros de nós atuamos no mundo preocupados em agir de forma legal. Trata-se, no entanto, de uma atuação no limite da legalidade, na preocupação de não sermos pegos pela justiça, de não respondermos perante tribunais e juízes. Não medimos esforços na busca de brechas na legislação, para encontrar meios de conseguir vantagens e o que haja de melhor para nós mesmos. Temos ciência de não estarmos contra a lei, entretanto serão apenas códigos humanos a nos ditar os limites de nossas ações. Porém, não podemos nos esquecer de que a vida aqui na Terra não é patrimônio que nos pertença. Renascemos nas lides terrenas e retornamos à pátria espiritual sob o rigor da lei Divina. Dessa forma, todas as experiências terrenas estão sob a tutela dessa lei, cuja finalidade maior é o aprendizado e o crescimento intelectual e moral de cada um de nós.
Ao concluirmos a experiência física, seremos convidados a prestar contas de como agimos, de todo o realizado ao longo dos anos que nos foram dados a viver. Natural que assim seja, considerando que tudo de que dispomos na Terra, incluindo nosso corpo físico, é a título de empréstimo. Nada nos pertence. Somos apenas arrendatários. Necessário analisar se nossos atos não prejudicam o próximo, não atribulam a outrem, se não causam dificuldades a alguém.
Tudo que fizermos carrega o peso de nossa intencionalidade e haveremos de responder pelas consequências. Importante nos questionarmos a respeito de nossas próprias ações, quais os valores que escolhemos para nossas decisões. Afinal, serão eles que dirão da nossa felicidade ou desdita, no agora, logo mais ou em momentos mais distantes.

Fonte: Redação do Momento Espírita

Por Isabel Scoqui
isabelscoqui@yahoo.com.br 

Texto publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, número 1664 de 24/4/2021 p. 14

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