SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Sem recolher detritos

13/05/2021 - por Isabel Scoqui

O homem estava a caminho do aeroporto. O táxi rodava pela faixa devida, quando um outro veículo saiu, subitamente, de um estacionamento, cortando-lhe a frente O taxista pisou no freio com força, deslizou e escapou de bater em outro carro por um triz!
O motorista começou a gritar, nervoso. Porém, o taxista manteve-se inalterado. Apenas sorriu e acenou, fazendo um sinal de positivo, de maneira bastante amigável. O passageiro do táxi, de certa forma indignado, perguntou: _ Por que você fez isso? Aquele cara quase arruína o seu carro e quase nos manda para o hospital!!!
O taxista, traduzindo tranquilidade deu uma explicação singela e profunda: _ Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de detritos, cheias de frustrações, de raiva e traumas! À medida que o lixo aumenta, elas precisam de um lugar para descarregar e, às vezes, descarregam sobre a gente. Nunca tomo isso como pessoal. O problema não é meu!  É delas! Apenas sorrio, aceno, desejo-lhes sempre o bem, e sigo em frente. Não pego o lixo das pessoas e nem o espalho sobre os outros, seja no trabalho, em casa, ou nas ruas. Fico tranquilo… Respiro... E deixo o lixeiro passar. Pessoas felizes não deixam qualquer detrito estragar o seu dia.
Grande lição a história deste taxista. Mostra-nos que a tolerância é caridade em começo. Exercitando-a, continuamente, encontraremos excelentes resultados do bem onde estivermos, com quem convivermos.
Condescendência para com os direitos alheios, não produzindo choque, não escandalizando, seguindo os mesmos caminhos de todos com atitude correta na busca de algo que nos dignifica, é relevante testemunho de tolerância.
Jesus, o instrutor de sempre, ao ser chamado a dizer o que pensava do pagamento de tributos, pegou uma moeda e perguntou: _ de quem é esta figura? A resposta: é de César. Então, dê a César o que é de César, ou seja, dê a cada coisa o seu devido valor e saiba discernir o que é da matéria e o que é do Espírito, o que é nosso e o que é do outro....Ao entender esse ponto, precisamos desenvolver algumas virtudes.
A tolerância nos evita o contágio com a inquietação do mundo. A tolerância nos salva de cair no fosso dos pensamentos negativos e insanos que, por vezes, nos atiram em armadilhas das quais dificilmente escapamos. Toleremos, relevemos, desculpemos, compreendamos.
Todos temos nossos dias difíceis, nossas vidas atribuladas, nossas provas e expiações que, muitas vezes, estremecem nossos dias. Compreendamos como desejamos ser compreendidos.
Atrás de alguém esbravejando sem aparente razão, atrás de uma voz grosseira, há uma alma pedindo socorro. Atrás de palavras que machucam, de atitudes deseducadas, há alguém querendo descarregar suas frustrações, seus medos, suas tristezas. Não recolhamos esses detritos. Eles não são de ninguém. Não desejemos estar certos, fazermos justiça, dizermos verdades. Não é este o momento.
Oremos, peçamos por aqueles que, por vezes, se desequilibram tão facilmente, que parecem carregar uma bomba-relógio no coração. Esses precisam muito encontrar o caminho da paz interior, e não nos encontramos na mesma estrada sem motivo.
Podemos ajudar o nosso próximo, mas não devemos absorver suas más energias. Vamos nos blindar, nos manter íntegros, pois só assim podemos ser solidários com as mazelas alheias.
Pensemos nisso.

 

Por Isabel Scoqui
isabelscoqui@yahoo.com.br 

 

Texto publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, 1665, de 1º de maio de 2021, p. 14

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