SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Operação Black Dolphin

03/12/2020 - por Josanete Monteiro Gozzo

Essa semana merece destaque a operação realizada na quarta-feira, dia 25 de novembro, pela Polícia Federal e Polícia Civil contra os criminosos que atuam pela internet na exploração e comercialização de imagens pornográficas infantis e no tráfico de crianças e adolescentes para exploração sexual.


As investigações foram iniciadas em 2018, quando os policiais descobriram um homem (escrevente do Poder Judiciário) que pretendia vender a sobrinha para criminosos na Rússia, o plano dele era levar a criança para a Disney da Europa e entregá-la aos criminosos na Rússia, alegando que ela teria desaparecido no parque. A polícia encontrou na casa dele, no computador, imagens da sobrinha nua e informações que permitiram que os polícias se infiltrassem em grupos da Deep Web para investigar, mapear e identificar os participantes criminosos.


A operação foi batizada com o nome de Black Dolphin por causa de uma das conversa detectadas nessas investigações, onde o chefe da organização criminosa dizia a esse tio que as leis brasileiras são “ridículas” e no Brasil não haveria prisão para segurá-los apenas a “Black Dolphin” poderia detê-los. Ele estava se referindo a uma prisão russa localizada na fronteira com o Casaquistão conhecida por abrigar presos condenados à prisão perpétua e “pelo rigor no tratamento dos detentos.
A partir dessa investigação, os policiais começaram a monitorar a deep web, e descobriram uma rede de criminosos sexuais, resultando na operação deflagrada para cumprir, a princípio, cinco mandados de prisão e 222 mandados de busca e apreensão em 85 cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e durante a operação o número de prisões superou o número de mandados já expedidos, porque mais pessoas (aproximadamente 48) foram flagradas enquanto compartilhavam imagens de pornografia infantil.


No estado de São Paulo, os trabalhos foram coordenados pelo Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) e pela Delegacia Seccional de Polícia de São José do Rio Preto, contando com a mobilização de unidades policiais de todo o território paulista, sendo realizada em, aproximadamente, cinquenta cidades do estado de São Paulo, entre elas : Casa Branca, Descalvado, São Carlos, Jardinópolis, Sorocaba, Salto, Itu, Votorantim, Ibiúna, Jaboticabal, Limeira, Campinas, Ribeirão Preto, Matão, Altinópolis, Americo Brasiliense, Sertãozinho e muitas outras.


O homem tido como líder da organização e principal alvo da rede de produção e venda de pornografia infantil foi preso em flagrante em São José do Rio Preto, mas pagou fiança no valor de cinco mil reais e saiu no mesmo dia. Segundo a polícia, ele é especializado em segurança cibernética, e sua responsabilidade na organização é criar os ambientes virtuais, na deep web, para o comércio de material pornográfico envolvendo crianças e, também, fazer o contato entre as pessoas que consomem esse tipo de material. Com ele, na primeira revista feita pela polícia nos equipamentos apreendidos, foram encontradas 200 mil imagens, fotos e vídeos de pornografia infantil


O diferencial dessa operação em relação a outras operações já realizadas é que as investigações rastrearam as ações dos criminosos na Deep Web, parte da internet que não é indexada pelos mecanismos de busca e fica oculta ao grande público, é um ambiente da Internet de difícil acesso e rastreabilidade,
a maioria dos servidores onde esse tipo de conteúdo está armazenado fica em países do Leste Europeu, por isso é palco de atividades ilegais, onde os criminosos se valem do anonimato para exibir, acessar e compartilhar imagens de abuso sexual infantil de forma a evitar a ação policial.


Agora, após a perícia do farto material apreendido na operação, a polícia vai buscar identificar mais criminosos envolvidos e, com certeza,em breve, teremos mais mandados de busca e apreensão e prisões.


Por fim, vale ressaltar que dentre os criminosos presos, encontramos pessoas de várias idades e classes sociais, consideradas “acima de qualquer suspeita”, como: um Policial Militar aposentado e atuando como advogado, idosos com mais de 70 anos, jovens, operador de telecomunicações, ferramenteiro, técnico em informática, entre outros.


Por isso, nunca confie em ninguém e qualquer situação suspeita disque 100 e denuncie!
 

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