SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



Dez temas que desafiaram as mulheres em 2020 e que continuarão em pauta em 2021 - Parte II

23/01/2021 - por Maria Betânia dos Santos Chaves

Em todo o mundo a pandemia de Covid-19 e a crise econômica global ameaçam reverter anos de progressos na igualdade de gênero.
Na semana passada apresentei aqui, 3 temas que desafiaram as mulheres no anos que passou e que continuarão desafiando em 2021.

Segue abaixo a continuação dos temas que preocupam mulheres e autoridades em todo o mundo.

4 – Educação de meninas
A Covid-19 obrigou muitas escolas a fecharem as portas para conter o avanço da pandemia, o que impactou a educação de milhões de crianças e adolescentes.
Em países do continente africano, grupos de defesa dos direitos das crianças temem que muitas meninas não voltem às escolas, prejudicando décadas de trabalho para reverter as desigualdades de gênero.
O fechamento de escolas colocou meninas em maior risco de sofrerem violência sexual e também de serem levadas a um casamento precoce, já que a pobreza, tornada ainda mais grave pelo isolamento social, forçou muitas famílias a ‘negociarem’ suas filhas para comprar itens básicos.
Muitos países já relatam um aumento no número de adolescentes grávidas e de casamentos precoces, aumentando a preocupação sobre a continuação da educação das meninas.

5 – Casamento infantil
A ONU previu que a pandemia levaria a 13 milhões de casamentos infantis a mais na próxima década, anulando anos de trabalho para exterminar esta prática. O aumento da pobreza faz com que muitas famílias casem suas filhas mais cedo.
Esse risco cresceu com o fechamento das escolas. Autoridades na Etiópia salvaram centenas de meninas dessa situação depois do encerramento das aulas. No Malawi, uma organização humanitária relatou um aumento de 350% nas ligações sobre casamento infantil ou forçado, durante o segundo trimestre.
Não custa lembrar: o Brasil é o quarto país no mundo em número de casamentos infantis.


6 – Mutilação genital feminina
Segundo a ONU, nesta nova década, cerca de dois milhões de meninas deverão sofrer a mutilação genital por causa da interrupção dos programas dedicados a exterminar a prática. Durante os meses da pandemia, um aumento no número de mutilações genitais em meninas foi relatado em países do Leste e do Oeste da África.
A pobreza intensificada pela Covid-19 é, em parte, responsável por isso. Familiares acreditam que podem conseguir melhores preços por uma filha que tenha sofrido a mutilação. Na Somália, circuncisadores iam de porta em porta oferecendo a prática durante os meses de isolamento social.
No Quênia, país que se comprometeu a eliminar a mutilação genital feminina até 2022, ativistas afirmam ter havido mutilações em massa, com desfiles de meninas nos centros das cidades e muitos presentes para elas.
No Egito, a imprensa internacional noticiou que um homem foi preso por permitir que um médico mutilasse suas três filhas, depois de enganá-las dizendo que elas receberiam a vacina contra a Covid-19.

7 – Aborto
A Polônia impôs a proibição quase total da interrupção da gravidez, levando a protestos em massa nas ruas do país.
Nos EUA, grupos que defendem o direito de escolha das mulheres temem que a chegada da juíza ultra-conservadora Amy Coney Barret à Suprema Corte possa levar a um retrocesso nos direitos conquistados pelas mulheres com a legislação de 1973, que legalizou a interrupção voluntária da gravidez em todo o país.
No Malawi, grupos religiosos poderosos se opõem a um projeto de lei que aliviaria as restrições ao aborto.
Em todo o mundo, as restrições à livre circulação, o fechamento de clínicas e serviços de saúde, congestionados por pacientes com Covid-19, tornaram ainda maiores as barreiras ao aborto para muitas mulheres.
No Brasil, grupos religiosos ultraconservadores e políticos de extrema-direita tentaram impedir uma menor de idade, vítima de violência sexual, de realizar um aborto previsto na legislação do país, tema que foi citado em um de meus artigos e que mobilizou grande parte dos ativistas.


Por Maria Betânia dos Santos Chaves.
 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.

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