SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



06/02/2021 - por Maria Betânia dos Santos Chaves

A expressão “Pink Tax”, ou, em português, “taxa rosa” foi criada devido ao fato de alguns produtos serem mais caros simplesmente por serem da cor rosa ou voltados ao público feminino. Isto é visto em lâminas, shampoos, desodorantes, cremes, roupas e até brinquedos. Ela incentiva não só uma discussão sobre igualdade de gênero e oportunidades de mercado, mas também sobre o impacto nas finanças pessoais.


O cálculo da taxa ou do imposto rosa surgiu como fruto de um estudo feito em 2015 pelo órgão de proteção ao consumidor de Nova York, nos Estados Unidos. Os dados revelaram a diferença de preço na comparação entre produtos voltados aos públicos feminino e masculino. As mulheres acabam desembolsando mais dinheiro que os homens para o mesmo produto ou serviço.


E isso, é claro, faz diferença quando se fala em finanças pessoais.


No Brasil, um levantamento inspirado no americano revelou a mesma tendência. Em 2017, uma pesquisa realizada pelo Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor (MPCC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) constatou que as mulheres pagam 12% a mais em produtos que são idênticos aos voltados para os homens.


Essa diferença não se resume só a produtos de higiene e beleza, mas também a serviços. Os preços de corte de cabelo, escova, hidratação, depilação e manicure chegam a ser 27% mais caros para as mulheres. O valor que uso para cortar o meu cabelo daria para meu marido e meu enteado cortarem seus cabelos e ainda sobrariam alguns trocados para tomarem sorvetinho.


E, pasmem, se você for comprar luvas de lavar louça, comprando um pacote com maior quantidade o preço sai mais em conta do que se você optar pelo pacote com menos quantidade, ou um único par.


Está achando essa ideia absurda? Pois bem, eu mesma fiz a pesquisa utilizando um produto muito prático e que é utilizado tanto por homens como por mulheres, as lâminas de depilação.


É possível verificar um ‘aparelho de depilar feminino’, 2 unidades, comercializado por uma importante marca do ramo sendo vendido pelo valor de R$ 17,89. Já o similar masculino, também com 2 unidades da mesma marca, R$ 10,90. (Valores verificados em rede popular varejista pela internet em 09/01/2021, às 15h59min.). Impressionante, não é mesmo?


O Código de Defesa do Consumidor, apesar de não detalhar essa situação específica, deixa claro que o valor de um produto muito acima de outro similar, sem entregar grande diferenciação, pode representar uma prática abusiva.


Julie Manin, uma coautora do estudo em Nova York, sugere que as mulheres passem a comprar, como ela mesma faz, alguns produtos nas prateleiras masculinas, abandonando seus equivalentes femininos mais caros quando for possível. Barbeadores para homens, como no exemplo que citei, são mais baratos, e a única diferença para um depilador feminino com lâminas é a cor.

 

Por Maria Betânia dos Santos Chaves.
 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.

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