SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



O vapor da sabedoria

03/11/2021 - por Thiago da Silva Vieira

Aí eu disse a mim mesmo: “O que acontece com o tolo acontece comigo também; de que adianta, então, ser sábio?” Então eu disse a mim mesmo que também isso era vaidade. Pois nem o sábio nem o tolo serão lembrados para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! O sábio morre do mesmo modo que o tolo! Por isso perdi o gosto pela vida, pois me foi pesado demais o trabalho que se faz debaixo do sol. Sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.” Eclesiastes 2:15 - 17 NAA

Somos pesquisadores por natureza. Buscamos respostas para perguntas simples e mais complexas sobre a existência humana, Deus, e o sentido da vida. Isso é bom, pois sem perguntas não há respostas, nem resolução de problemas. O aprendizado é o prêmio do curioso.

Salomão era um homem que gostava de perguntar “por que?” a fim de entender este mundo e questões que nos deixam inquietos.

Nesta seção, Salomão busca resposta para a seguinte pergunta: Por que ser sábio e não tolo? Antecipando a resposta dele: sem Deus ser sábio não tem sentido algum. Em outras palavras, Sem Deus, tudo é permitido.

O Salmos 14:1 afirma sobre o tolo: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem.”

O insensato é aquele que vive segundo as regras que ele mesmo criou. Ele é sua própria autoridade. O tolo pode ser visto como adepto do secularismo. Que é o conjunto de crenças onde a ênfase está na vida aqui e agora, sem que haja concepção daquilo que é eterno, Deus, juízo final e recompensas por nossos atos no além. É a ideia de que após a morte não há mais nada. Tudo o que temos é essa vida. O secularismo pode ser ateísta: Deus não existe. Ou religioso: Deus existe, porém na prática, a existência de Deus não é real em suas decisões e conduta de vida.

Nesse texto, o sábio não é aquele que está em uma relação salvífica com Deus, mas aquele que mantém um aspecto de bondade e justiça que todo ser humano pode ter. É alguém que não é à toa na vida.

Podemos reformular a pergunta de Salomão assim: Se Deus não existe, ou não se importa com nossas ações, há alguma razão para sermos justos?
Salomão responde com duas reflexões: Primeiro, a curto prazo; Segundo, a longo prazo.

1. A curto prazo ele conclui que vale a pena ser sábio. De maneira pragmática a sabedoria é melhor que a loucura:
“Então, vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a insensatez, quanto a luz traz mais proveito do que as trevas.” Eclesiastes 2:13

A vantagem da sabedoria sobre a loucura está relacionada em como o homem guia seus passos nesse mundo. É como a distinção entre luz e trevas (Ec 2:14). O sábio se guia pela luz, podendo enxergar melhor o caminho que deve seguir.
Tendemos a viver de maneira pragmática, buscando aquilo que melhor funciona, porém sem refletir sobre a racionalidade de nossas ações. Não nos perguntamos o porquê delas.

2. A segunda reflexão de Salomão é a longo prazo, sobre a sabedoria em relação à morte. Nesse caso, absolutos morais são sem sentido. Salomão percebe a irracionalidade de ser sábio ao contemplar a morte como o fim de todo significado daquilo que fazemos. Se a morte é o fim tanto do sábio quanto do tolo, então ser sábio é correr atrás do vento.

“... Apesar disso, vi que o sábio e o tolo têm o mesmo destino. Disse a mim mesmo: “Uma vez que terei o mesmo fim do tolo, de que vale toda a minha sabedoria? Nada disso faz sentido!”. Eclesiastes 2:14 - 15 NVT

Segundo Salomão, ambos são sepultados. Ambos apodrecem. Ambos são esquecidos. Na morte não há vantagem. O que fizeram nesse mundo ficou para trás. O morto não sofrerá dano além da morte, também não receberá recompensa.
Assim, tanto o honesto quanto desonesto, tanto o trabalhador quanto o ladrão, tanto o filho bom quanto o ruim, tanto o político correto quanto o corrupto, todos morrem e não há mais nada. Não há justiça, pois ninguém se lembrará de nós ( Ec 2:16).

Se somos apenas matéria que irá se decompor após a morte, não havendo nada depois, a sabedoria não tem vantagem sobre a tolice, pois a vida é vapor. A vaidade da sabedoria é que ela termina com a morte.
Reflita comigo: se não há julgamento após a morte, onde o sábio é recompensado e o tolo é condenado, que vantagem tem em ser sábio ao invés de tolo?
Se essa vida é tudo que existe, o que satisfaz melhor os meus desejos neste mundo deve ser incentivado. Não importa se é a justiça ou a injustiça. Fazer o bem é sem sentido.
Ah, mas há leis civis que impedem os homens de cometerem atrocidades. Sim, mas, se conseguirem se esconder dos olhos da lei? Se ninguém descobrir seus crimes? E se as leis forem feitas de acordo com o que é melhor para uma maioria no poder, o que fará a minoria prejudicada? Quando Deus é excluído, o genocídio de milhares de crianças no ventre é aprovado, a corrupção política vale a pena e os pobres são injustiçados. Também não temos como ter a sensação de justiça satisfeita quando homens loucos como Stalin, Hitler, Mussolini e o Talibã não sejam julgados de acordo com as atrocidades que cometeram. Aliás, não temos nem como julgá-los como errados, pois apenas estavam vivendo da maneira que determinaram ser certo. Nem podemos ter compaixão daqueles que sofreram nas mãos desses homens, pois não há padrão moral absoluto, além do cultural. Você crê que pode julgá-los como errados? Se sim, por qual padrão? Se Deus não existe, não há um padrão universal de justiça.

Esse pensamento conduz o Eclesiastes a odiar a vida.Todo o trabalho para se adquirir sabedoria resultou em nenhuma vantagem no final: “Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.” Eclesiastes 2:17

É evidente que a crença em Deus é o único fundamento que mantém o sentido de valores morais. Amar o próximo como a nós mesmos: respeitar os pais, não assassinar, respeitar o casamento, não enganar, não roubar, só tem valor quando pressupomos que existe Deus. Sem um Deus justo que julgue cada um segundo suas obras, você poderia simplesmente viver o contrário de tudo isso, e ninguém poderia dizer que isso é errado, pois é apenas uma questão de gosto pessoal.

Que bom saber que a conclusão final do pregador não é dada agora, devemos olhar para o final do livro onde a crença em Deus é a base para a sabedoria: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.” Eclesiastes 12:13-14

Vivemos em um mundo onde Deus governa. Ele é quem determina como os seres humanos devem viver. Ele também determinou um juiz, Jesus Cristo, que irá julgar os vivos e os mortos de acordo com suas obras (Atos 17:31). O mesmo juiz que se fez réu para que pudesse salvar pecadores da condenação. Creia e seja salvo.

Por Thiago da Silva Vieira
 

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