Aline Policiano Leão fala sobre o novo sistema informatizado do PS
14/04/2025
o jornal DEMOCRATA entrevistou a enfermeira Aline Policiano Leão, responsável pelo pronto-socorro. Ela explicou como funciona o novo sistema informatizado, os benefícios da integração com o prontuário eletrônico nacional (PEC), e os desafios enfrentados pela equipe durante a adaptação.
DEMOCRATA: Quando começou a implementação do sistema informatizado no pronto-socorro?
ALINE: Bom, nós iniciamos o sistema informatizado aqui no PS em 2022.
Funciona assim: o paciente entra no setor, abre uma ficha na recepção. A orientação é que todos tragam um documento oficial — RG, CPF, cartão do SUS, ou pelo menos um dos três. A gente está batalhando para que isso aconteça, porque nem todos trazem. Mas a intenção é essa.
A ficha é aberta pelo recepcionista e, na sequência, a funcionária da triagem chama o paciente para fazer a pré-consulta ou a classificação de risco.
DEMOCRATA: Notei que já há algum tempo existe um monitor na sala de espera que chama os pacientes. Isso continua?
ALINE: A gente trabalha com um chamador. Tem uma televisão na recepção, e o funcionário da triagem clica ali, por ordem de atendimento. O sistema fala o nome do paciente e a sala para onde ele deve se dirigir, ou o nome do funcionário que vai atendê-lo. Aí o paciente sai da recepção e vai para a triagem, onde são verificados os sinais vitais e coletadas as informações sobre a queixa. Mediante os sinais e a queixa, o paciente é classificado segundo o protocolo de risco.
DEMOCRATA: E como é dividido o atendimento?
ALINE: Fichas classificadas como verde e azul são atendidas na parte de baixo. Lá, temos dois médicos clínicos gerais das 7h às 23h, direto. Já as fichas amarelas e vermelhas, que indicam situações de urgência ou emergência, vêm para o setor de cima. Aqui temos um plantonista das 7h às 23h e, das 23h às 7h, dois plantonistas, porque o ambulatório não funciona nesse período. Então, eles ficam os dois aqui na parte de cima com a equipe de enfermagem.
Esse sistema também chama o paciente diretamente do consultório. Quando o plantonista do consultório 1 ou 2 aciona o próximo atendimento, o nome do paciente aparece na recepção. O médico realiza todo o atendimento pelo sistema informatizado, e a ficha já vai direto para a enfermagem, que administra a medicação prescrita. Assim que o médico lança a prescrição no sistema, ela já fica disponível na sala de procedimentos, e o paciente é direcionado para lá. A medicação aparece nos tablets e é administrada pelos profissionais.
DEMOCRATA: E o prontuário do paciente, da cidade dele, do postinho, já aparece ou ainda vai aparecer?
ALINE: Desde o dia 20 de março nós iniciamos o sistema PEC, que é do Ministério da Saúde. Antes, o sistema já era informatizado, mas não era integrado às unidades básicas. Agora, com o PEC, temos integração nacional. É um banco de dados em nuvem do Ministério da Saúde, com todos os atendimentos que o paciente já teve. Por isso é tão importante o cartão do SUS ou outros documentos — para qualificar o atendimento.
DEMOCRATA: Isso ajuda naqueles casos em que o paciente vai a um médico, não gosta, vai em outro, e assim por diante. Isso dá uma peneirada, não é?
ALINE: Isso, é integrado. Do mesmo jeito que, quando ele voltar para a unidade básica de saúde, o médico de lá vai saber tudo o que foi feito.
DEMOCRATA: Favorece muito o acompanhamento da saúde do paciente, porque o médico consegue ver o prontuário anterior e avaliar melhor o caso.
ALINE: Exatamente. O médico vai saber qual foi a queixa que ele teve no final de semana ou durante a noite, quando a UBS estava fechada. E o profissional da UBS também verá o que ocorreu com o paciente e qual foi a conduta do médico da emergência. Assim, conseguimos integrar todo o atendimento.
DEMOCRATA: Quantos tablets foram instalados?
ALINE: Foram colocados três tablets fixos para a enfermagem, no atendimento do primeiro piso, e um móvel. Esse último ainda não foi fixado na parede.
DEMOCRATA: Na parte de cima vai ser instalado também?
ALINE: Em cima temos um computador no posto de enfermagem e um tablet na sala de emergência.
DEMOCRATA: Houve treinamento para as enfermeiras e técnicas que aplicam a medicação prescrita pelos médicos? Porque, às vezes, o pessoal mais jovem já tem familiaridade com a tecnologia, mas quem é mais velho sofre um pouco.
ALINE: Então, esse treinamento foi realizado pela equipe da WA, uma consultoria contratada pela Prefeitura. Eles já atuam há algum tempo no município. Implementaram o sistema nas unidades básicas e, agora em março, trouxeram para o pronto-socorro.
DEMOCRATA: Houve alguma dificuldade de adaptação por parte da equipe?
ALINE: Com o outro software, como já vínhamos usando havia um ano e meio, quase dois, estávamos mais adaptados. Agora estamos na fase de implantação do PEC, mas está fluindo. Toda mudança é difícil, a gente sabe disso. Mas está fluindo muito bem.
DEMOCRATA: E existe um plano B? Por exemplo, se faltar energia ou a internet cair, as fichas ainda estão disponíveis com caneta e papel?
ALINE: Energia não é problema, porque temos um gerador aqui no pronto-socorro. Mas, como o sistema é do Ministério da Saúde, ele pode sofrer oscilações quando há atualizações. É raro, mas acontece — como na semana passada, por exemplo. Nesses casos, voltamos para o atendimento manual, com fichas físicas. Nenhum paciente fica sem atendimento, de maneira alguma.
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